Após um primeiro semestre com desempenho abaixo do esperado, a indústria de tintas já estima fechar 2015 com uma retração acima de 5% no volume de vendas.
O número representa um agravamento do cenário em relação ao fim de 2014, quando a Abrafati (associação da área) projetava para este ano ao menos uma estabilidade no total comercializado.
"Praticamente todos os mercados que atendemos foram duramente afetados", afirma Dilson Ferreira, presidente-executivo da entidade.
O segmento de tintas para reparos automotivos, o único cujos negócios permaneciam em alta até o início deste ano, também entrou no vermelho nos meses de maio e junho.
As vendas destinadas às montadoras de carros, por sua vez, continuaram afetadas pela crise que o setor de veículos enfrenta e fecharam o semestre com uma diminuição de cerca de 20%.
"Embora não seja a nossa maior compradora em volume, a área automotiva tem os produtos com maior tecnologia e valor agregado. Por isso, a queda é ainda mais significativa", diz Ferreira.
Responsável pela maior parte do faturamento (62%), as tintas imobiliárias recuaram 4% no semestre.
Além da retração no volume comercializado, os fabricantes têm enfrentado pressão nos preços de matérias-primas por causa da valorização do dólar, diz o executivo.
Em média, 60% dos insumos usados pelas indústrias de tintas são importados.
"A queda [no preço] do petróleo no mercado internacional não chegou de forma proporcional às matérias-primas e também foi mascarada pela desvalorização [do real]."
Fora da caixa
Mesmo com a retração da economia brasileira e do setor de construção civil, a ThyssenKrupp espera avançar com a área de manutenção de elevadores.
"O segmento de construção está caindo um pouco, mas uma parte grande do meu negócio, 60%, é conservação dos maquinários", diz o CEO global da área de elevadores da ThyssenKrupp, Andreas Schierenbeck, em passagem pelo Brasil. O ciclo de baixa, estima, deverá durar cerca de três anos.
"Na crise e com a alta do preço da energia, tem-se ainda mais necessidade de equipamentos mais modernos, que podem levar a uma economia de 40% a 60%."
A empresa mantém investimento em expansão da capacidade na fábrica de Porto Alegre. Em 2014, anunciou aporte de R$ 2 bilhões em cinco anos no Brasil.
A exportação anual de 20% a 30% da produção também deverá se repetir, afirma.
4.000
são os funcionários da área de elevadores
€ 6,4 bilhões
foi o faturamento global (out/2013 a set/2014), cerca de R$ 22 bilhões; 15% vêm de elevadores
Fonte: Folha de São Paulo - Colunistas, 03/07/2015

