O Índice de Preços ao Consumidor -Semanal (IPC-S) desacelerou entre maio e junho, ao passar de alta de 0,52% para avanço de 0,33% no período. A variação do indicador da Fundação Getulio Vargas (FGV) frustrou as projeções do coordenador do IPC-S, Paulo Picchetti, que projetava alta de 0,10% no início do mês. O economista, porém, mantém estimativa de que o índice vai fechar o ano em 6,4%, já que a inflação deve mostrar alguma desaceleração ao longo do segundo semestre.

Para Picchetti, a inflação subiu mais do que previsto em junho por causa da alimentação. No mês passado, o grupo teve alta de 0,08%. Ainda que o comportamento tenha sido de desaceleração em relação à primeira semana do mês, quando esses itens subiram 0,39%, Picchetti afirma que a perda de força ocorreu mais lentamente do que se esperava.

A principal surpresa, disse, veio dos produtos in natura. Como nas duas primeiras semanas do mês esses itens caíram rapidamente, a expectativa era que esse movimento se acentuasse ao longo de junho e levasse a inflação do período a ficar mais próxima de 0,10%.

No entanto, as frutas, por exemplo, que passaram de queda de 2,52% para 4,04% entre a primeira e a segunda semanas de junho, não sustentaram essa tendência na metade final do mês e encerraram junho com deflação menor, de 3,52%. As hortaliças e legumes também tiveram queda no período, de 8,82%, mas em magnitude um pouco inferior ao que se esperava, diz Picchetti.

Para julho, o coordenador do IPC-S estima variação em torno de 0,3% do índice. A inflação de alimentos deve seguir baixa, mas não tende a desacelerar. Já a alta da energia elétrica em São Paulo tende a ser parcialmente compensada pelo desconto nas contas de água na cidade, que será incorporado ao cálculo do IPC-S pela FGV em julho.

Como no ano passado houve deflação de 0,17% no mês de julho, por causa da revogação dos aumentos das tarifas de transporte público, a inflação acumulada em 12 meses deve subir para 7,06% no período, estima o economista, ante 6,55% em junho.

Ainda assim, Picchetti prefere manter a projeção de alta de 6,4% do IPC-S em 2014, por causa de três fatores que devem contribuir para melhora da dinâmica inflacionária ao longo do segundo semestre. Para ele, os preços ainda tendem a ser afetados pelos efeitos defasados do ciclo de aperto monetário implementado pelo Banco Central.

Além disso, os sinais mais evidentes de desaquecimento do mercado de trabalho podem contribuir para alterar a tendência para a inflação de serviços, que até aqui tem sido de alta. Por último, o Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M), mostra preços agrícolas em queda no atacado, e a expectativa é que os bens finais no varejo também desacelerem nos próximos meses.


Fonte: Valor, por Tainara Machado, 02/07/2014