O Índice de Preços ao Consumidor Amplo15 (IPCA-15) de junho deve ser o menor para o mês desde 2006, reforçando ainda mais o cenário de desaceleração da inflação, segundo analistas. A estimativa média de 25 consultorias e instituições financeiras ouvidas pelo Valor Data aponta alta de 0,12% do indicador em relação a maio. A dispersão das projeções é pequena, variando de 0,07% a 0,19%. No acumulado de 12 meses, a estimativa média é de 3,48%.
Se for confirmado, o resultado será o menor para junho em 11 anos, já que em 2006 o indicador apresentou deflação de 0,15%. Em maio deste ano, o IPCA-15 ficou em 0,24% e acumulou 3,77% em 12 meses.
Boa parte do quadro inflacionário favorável esperado para junho pode ser creditada aos alimentos, beneficiados mais uma vez pelo clima dos meses anteriores, segundo Fabio Romão, economista da LCA Consultores. Ele calcula que o grupo Alimentos e Bebidas terá deflação de 0,55%, principalmente por causa de quedas nos preços de tubérculos, raízes e legumes, hortaliças e verduras e frutas. Outro itens, como carnes, pescados, aves e ovos, também devem apresentar deflação, ainda que em menor medida. "É uma queda de preços bem disseminada [dentro de Alimentação e Bebidas]", diz.
Apesar de não apresentar deflação, a tendência é que o grupo Saúde e Cuidados Pessoais seja outra fonte de boas notícias. Nos cálculos da LCA, o grupo terá alta de 0,59%, menor do que os 0,84% do mês anterior. Maio e abril tradicionalmente concentram os maiores aumentos nos preços de medicamentos, já que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) divulga no fim de março o percentual máximo de reajuste desses produtos. "Agora há uma diluição disso", diz Romão. Embora tenham menor peso, outros dois grupos que também podem beneficiar o indicador são Artigos de residência (com deflação esperada de 0,27%) e Comunicação (inflação esperada de 0,07%), segundo ele.
A equipe econômica do BNP Paribas destaca em relatório que os preços dos produtores também seguem menos pressionados, efeito que deve "começar a ficar mais aparente" para os consumidores nos próximos meses. A estimativa da instituição financeira é que o IPCA-15 fique em 0,19% neste mês. O banco lembra que, se esse número se confirmar, o acumulado de 12 meses do indicador "se aproximará de 3,5%, o menor desde 2007". Também em junho daquele ano, o IPCA-15 atingiu 3,44% nesse tipo de comparação.
Já o Santander espera alta de 0,1%, "em linha com a tendência cadente da inflação", com destaque para o menor preço de energia elétrica, por causa da devolução de cobranças indevidas relacionadas à usina de Angra 3 feitas anteriormente.
O cenário inflacionário para o mês inteiro de junho é ainda mais positivo, com analistas apostando na primeira deflação desde 2006. Em junho daquele ano, o IPCA havia caído 0,21%. Romão, por exemplo, espera um recuo de 0,16% agora, influenciado basicamente pelos mesmos fatores que devem contribuir para o resultado do IPCA-15, além de novas quedas nos preços dos combustíveis.
Fonte: Valor - Macroeconomia, por Estevão Taiar, 23/06/2017

