A presidente do Banco Central Europeu (BCE), Christine Lagarde, não trouxe grandes surpresas na sua entrevista coletiva, reiterando a visão da autoridade monetária europeia de que a disparada da inflação se deve em grande parte a fatores transitórios, como o efeito da base de comparação deprimida de 2020.

Falando na entrevista coletiva dada após a conclusão da reunião de política monetária do BCE, Lagarde disse que as projeções para a inflação e para o crescimento da zona do euro foram revisadas para cima, mas que os preços devem permanecer abaixo da meta pelos próximos anos, uma vez que fatores como o efeito de base devem começar a perder força em 2022 e não devem ter muito efeito em 2023.

O BCE elevou a projeção de inflação para 2021 a 1,9%, de 1,5% da leitura anterior, da reunião de março, mas manteve a projeção para 2023 estável em 1,4%. Para o crescimento, as projeções para 2021 foram revisadas para alta de 4,6% em 2021, de 4,0 da leitura de março, enquanto a expectativa para 2022 subiu para 4,7%, de 4,1%.

Lagarde apontou também que o núcleo da inflação - que exclui os elementos mais voláteis de alimentos e energia - está subindo gradativamente desde dezembro de 2020, conforme os problemas com a cadeia produtiva são resolvidos. "Presumimos que alguns dos gargalos dos quais temos conhecimento serão gradativamente eliminados", disse.

A presidente do BCE reiterou também que "qualquer discussão sobre uma retirada do PEPP [programa de compras de emergência para a pandemia] seria prematura", e que o as compras de ativos - que permanecem em níveis mais elevados do que no começo do ano - foram consideradas "aceitáveis por todos os membros" do comitê de política monetária do BCE, apesar de algumas dissidências sobre o nível de suporte oferecido pela autoridade monetária.

Em relação aos salários, Lagarde disse que "não se está vendo muito em relação a uma alta dos preços dos serviços, e isso se deve ao fato de que os salários não subiram significativamente. "Vemos a possibilidade de mais um pouco de movimento nesta direção, e esperamos ver mais."


Fonte: Valor Econômico - Finanças, por André Mizutani, Valor — São Paulo, 10/06/2021