A incorporação de projetos para a faixa 2 do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida segue aquecida, na contramão da maior parte dos segmentos de atuação do mercado imobiliário. A produção para as faixas 2 e 3 responde por 85% dos negócios da MRV Engenharia. A Tenda mantém a estratégia de só atuar na faixa 2. E esse segmento, financiado com recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS), tem ganhado participação na Cury e na Direcional Engenharia.
Dos cinco projetos que a Cury empresa na qual a Cyrela tem 50% de participação lançou neste ano, quatro se encaixam na faixa 2 do programa e um se enquadra no Sistema Financeiro da Habitação (SFH). Outros dois projetos estão previstos até o fim do mês. Para o segundo semestre, a Cury projeta lançar de cinco a sete empreendimentos, quatro deles nas faixas 2 e 3 do Minha Casa, Minha Vida.
No início do programa habitacional, a Cury teve forte atuação nessas faixas. Em 2012 e 2013, a faixa 1 foi o destaque de atuação da incorporadora. De acordo com o presidente da empresa, Fábio Cury, há quase um ano, quando "a faixa 1 começou a se deteriorar", a busca por terrenos passou a se concentrar nos segmentos 2 e 3.
A redução recente dos investimentos do governo para o Minha Casa, Minha Vida prevista para 2015 afetou, principalmente, a faixa 1. A Cury está elevando a participação das outras faixas em seu portfólio, e a Direcional já divulgou que, nos últimos trimestres, seu foco de compra de terrenos tem sido a faixa 2.
A restrição de recursos para a faixa 1 suscitou dúvidas se incorporadoras focadas nesse segmento vão direcionar a atuação para a faixa 2, elevando a concorrência nesse mercado. "A migração não é trivial. Na faixa 2, é preciso prospectar clientes e ter velocidade de repasses extremamente otimizada", diz o diretor financeiro e de relações com investidores da Tenda, Felipe Cohen.
O executivo da Tenda ressalta que é necessário ser "muito eficiente" nos repasses dos recebíveis dos clientes para os bancos para evitar distratos decorrentes de desenquadramento da renda. Na faixa 1, as empresas atuam como empreiteiras prestadoras de serviço e não possuem despesas de lançamentos e de marketing.
O copresidente da MRV Engenharia, Eduardo Fischer, diz que pode haver "algum aumento da concorrência, mas nada que preocupe a companhia". Fischer ressalta que, nos primeiros anos do programa, a MRV concorreu também com as incorporadoras focadas na média e na alta renda que tinham expandido sua atuação para a baixa renda.
"O mercado é muito grande, e a demanda [no segmento] é muito superior à oferta", diz Fischer. "O que mais me preocupa é o desemprego e a situação econômica do Brasil", acrescenta o copresidente da MRV. O diretor financeiro da Cury, Gustavo Artuzo, destaca que não há preocupação com demanda no segmento, mas que o cliente continue empregado.
O que se espera, num primeiro momento, é o aumento da disputa por terrenos para a faixa 2, de acordo com Cohen. Já o presidente da Cury ressalta que a disputa por terrenos para o segmento tem ocorrido entre as mesmas empresas que já concorriam pelas áreas anteriormente.
Fonte: Valor Economico, por Chiara Quintão, 08/06/2015

