Uma decisão da Justiça Federal no Rio Grande do Sul que proibiu a extração de areia nas margens de um rio elevou o preço do mineral em 100% e pode acarretar em atrasos em obras da Copa.

A suspensão dos trabalhos em cerca de cem quilômetros de extensão do rio Jacuí foi determinada no dia 15 de maio devido ao risco de danos ambientais.

Três mineradoras, responsáveis por aproximadamente 95% do abastecimento de areia na região de Porto Alegre, operavam no local.

Desde que a extração foi interrompida, o preço do produto duplicou, segundo o Sinduscon/RS (sindicato da construção civil), e o do concreto subiu cerca de 10% --passou de R$ 235 o metro cúbico para R$ 260.

"Estamos tentando suprir a demanda com areia vinda de Santa Catarina e do interior do Estado. Mesmo assim, parte de obras estão sendo paralisadas", afirma o presidente da entidade, Paulo Vanzetto Garcia.

A empresa Conpasul, que faz parte de um consórcio responsável pela construção de corredores de ônibus para a Copa do Mundo, comunicará hoje à Prefeitura de Porto Alegre que as obras devem ser interrompidas a partir de sexta-feira.

"Nossos fornecedores estão entregando menos do que necessitamos", diz Nilto Scapin, sócio da companhia.

"Se o problema for resolvido logo, podemos finalizar a obra até novembro [prazo previsto pelo cronograma]", acrescenta Scapin, que é diretor do Sicepot/RS (sindicato da construção pesada).

"O setor de infraestrutura não está entrando no mérito da Justiça, mas está avisando que obras que precisam de concreto estão diminuindo o ritmo", afirma.

A mineradora Smarja informou que adota as medidas mitigadoras exigidas. As outras duas --Somar e Aro Minerações-- não foram localizadas.


Fonte: Folha de São Paulo, por Maria Cristina Frias, 05/06/2013