Os juros futuros encerraram os negócios desta quarta-feira (2) em queda firme ao longo de toda a estrutura a termo da curva, em um movimento ainda alinhado às melhores perspectivas para a situação fiscal brasileira.

Com a relação dívida/PIB se encaminhando para a faixa entre 80% e 85% neste ano, e deixando para trás cenários mais adversos, os agentes continuam a retirar prêmio da curva de juros e a demandar mais títulos prefixados de longo prazo — o que se viu no leilão do Tesouro Nacional que, apesar de aumentar a oferta de NTN-Fs, viu uma demanda ainda maior pelos papéis, com fechamento das taxas em relação ao esperado pelo consenso do mercado.

No fim da sessão regular, às 16h, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 caiu de 5,12% no ajuste anterior para 5,105%; a do DI para janeiro de 2023 recuou de 6,75% para 6,72%; a do contrato para janeiro de 2025 cedeu de 7,92% para 7,82%; e a do DI para janeiro de 2027 passou de 8,44% para 8,35%.

No leilão de NTN-Fs desta quarta-feira, o Tesouro fez a maior oferta desse tipo de papel desde fevereiro e a demanda observada se mostrou ainda maior. Tanto na venda de 3 milhões de títulos para janeiro de 2027 quanto na de 1,5 milhão de papéis para janeiro de 2031, as taxas máximas das operações saíram dentro ou abaixo do consenso do mercado, o que mostra uma demanda maior pelos papéis, no momento em que o mercado tem mostrado maior apetite pelos ativos brasileiros diante de uma melhora nas perspectivas fiscais do país.

Os economistas da XP, em sua revisão de cenário macroeconômico, passaram a projetar uma dívida bruta de 82,2% do PIB neste ano, 6,6 pontos percentuais abaixo do observado no fim do ano passado. “Podemos afirmar que o risco fiscal ‘agudo’ em nosso relatório mensal de maio se reduziu. O risco ‘crônico’, no entanto, persiste”, dizem os economistas. A XP também revisou suas projeções para a Selic e passou a esperar que a taxa básica de juros alcance 6,5% até o fim do ano.

“Entendemos que o ciclo de aperto monetário seja completo (ao invés de parcial, com um “pit-stop” em 5,5% este ano) porque o hiato do produto está se estreitando mais rápido do que o previsto, sugerindo que a economia não precisará mais de estímulos monetários ao longo de 2022. Além disso, ancorar as expectativas de inflação é mais desafiador com a inflação corrente próxima de 9%”, afirmam os economistas da XP na revisão de cenário.


Fonte: Valor Econômico - Legislação, por Victor Rezende, Valor — São Paulo, 02/06/2021