Uma leitura mais firme que o esperado do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no primeiro trimestre de 2021 dá forte impulso ao otimismo do investidor local nesta terça-feira. Como resultado, o dólar comercial foi buscar a mínima intradiária de 2021.
Por volta das 13h30, a moeda americana recuava 1,19%, a R$ 5,1621, se distanciando da mínima de R$ 5,1470. Este também é o menor patamar intradiário desde 4 de janeiro, quando tocou R$ 5,1198. O real divide, assim, com o peso colombiano o posto de melhor divisa do dia, bem à frente das demais. Contra a coroa sueca, terceira moeda de melhor desempenho do pregão, o dólar cai 0,40%. Na outra ponta, ele sobe 1,20% frente ao sol peruano.
“Grande parte da reação de hoje é ao PIB, que veio melhor que o esperado e trouxe dados positivos sobre o aumento de produtividade”, diz Simone Pasianotto, economista-chefe do Reag. “O indicador reforça a tendência de normalização completa da Selic este ano e deve levar a nova rodada de revisões de projeção.”
Pasianotto esperava um avanço de 0,5% do PIB nos três primeiros meses de 2021, na comparação trimestral, ante a expansão de 1,2% divulgada pelo IBGE. O dado também veio acima da mediana das projeções colhidas pelo Valor Data, de 0,7%.
A economista está revendo seu cenário, mas já adiantou que espera um dólar no fim do ano em R$ 5,30, de R$ 5,38 anteriormente. Por outro lado, acrescenta, seu modelo não vê espaço para um câmbio abaixo de R$ 5,00 antes de 2025. “Enxergo uma mudança de regime e de piso para o câmbio. Claro que tudo pode acontecer, mas não vejo ele se aproximar de R$ 5,00 tão cedo.”
Após o dado do PIB, o Bank of America também revisou sua projeção de PIB de 3,4% para 5,2% em 2021. Já a projeção de câmbio no fim do ano caiu de R$ 5,40 para R$ 5,20.
Em relatório, economistas do BofA afirmam que é possível ocorrer uma valorização adicional do câmbio no curto prazo. Além da perspectiva de crescimento mais forte e juros mais altos, o país também está melhor que outros países da região em termos de vacinação.
Por outro lado, eles enxergam riscos à medida em que o ano se aproxima do fim, entre eles, uma alta dos juros americanos, uma possível terceira onda da covid-19 e também ruídos políticos, que devem crescer com a aproximação da eleição de 2022.
No exterior, o dólar sobe apenas timidamente contra a maior parte das divisas emergentes, reagindo a um avanço maior que o esperado do ISM industrial dos Estados Unidos de maio. O dado também faz subir os rendimentos dos Treasuries e mantém no horizonte o receio com uma possível retirada dos estímulos por parte do Federal Reserve (Fed, banco central americano).
Fonte: Valor Econômico - finanças, por Felipe Saturnino, Valor — São Paulo, 01/06/2021

