O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo-15 (IPCA-15) desacelerou a alta para 0,44% em maio, após avançar 0,60% em abril, informou nesta terça-feira o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O resultado é o maior para o mês desde 2016 (0,86%). Em maio de 2020, o IPCA-15 teve deflação de 0,59%, sob impacto do início da pandemia de covid-19.
A mediana das 31 projeções de analistas de consultorias e instituições financeiras consultados pelo Valor Data era de elevação de 0,54% em maio. O intervalo das estimativas era de 0,43% a 0,59%.
Em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 7,27% em maio, ante 6,17% no acumulado até abril. O resultado ficou abaixo da mediana das estimativas do Valor Data, que era de 7,37%. A meta de inflação perseguida pelo Banco Central (BC) para 2021 é de 3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para baixo ou para cima.
O principal impacto individual para o IPCA-15 de maio veio da energia elétrica, que subiu 2,31% e respondeu por 0,10 ponto percentual da taxa de 0,44%.
O IPCA-15 é uma prévia do IPCA, calculado com base em uma cesta de consumo típica das famílias com rendimento entre um e 40 salários mínimos, abrangendo nove regiões metropolitanas, além de Brasília e do município de Goiânia. A diferença em relação ao IPCA está no período de coleta e na abrangência geográfica.
Regiões
Cinco das 11 regiões pesquisadas pelo IBGE têm inflação acumulada acima de 8% no resultado em 12 meses até maio pelo IPCA-15. Na média nacional, a taxa é de 7,27%. Ao todo, são sete das onze regiões com resultado acima desse nível.
Segunda região com maior peso no IPCA-15, Belo Horizonte teve alta de 8,04%. A alta mais expressiva entre as regiões se vê em Fortaleza (8,99%). O resultado acumulado em 12 meses, até maio, é muito parecido em Curitiba (8,66%) e em Goiânia (8,68%). Recife teve alta de 8% nos preços e completa o grupo de cinco áreas com taxas acima de 8%.
Por outro lado, São Paulo (6,43%), Rio de Janeiro (6,36%) e Salvador (6,49%) acumulam variações da inflação em 12 meses na faixa dos 6%.
Considerando a passagem entre abril e maio, houve desaceleração da alta em sete das 11 regiões pesquisadas. O destaque foi Brasília, que teve alta de 0,98% em abril, mas deflação de 0,18% em maio por causa da queda de 37,10% dos preços de passagens aéreas. Em São Paulo, a inflação ficou em 0,40% em maio, após alta de 0,47% em abril.
Fortaleza, por sua vez, foi a região com maior alta no IPCA-15 de maio, de 1,08%, puxada pelos aumentos de energia elétrica (8,27%) e de produtos farmacêuticos (3,51%).
O preço da energia na capital cearense foi influenciado pela bandeira tarifária vermelha patamar 1, que acrescenta R$ 4,169 na conta de luz a cada 100 quilowatts-hora consumidos e passou a vigorar em maio, mas também por reajuste na conta de luz. No caso dos produtos farmacêuticos, o impacto vem dos reajustes de até 10,08% dos medicamentos, de acordo com o tipo, desde 1º de abril.
Em São Paulo, a inflação medida pelo IPCA-15 desacelerou de 0,47% em abril para 0,40% em maio. A região responde por 33,45% do índice. Segunda região com maior peso, Belo Horizonte teve alta de 0,49% em maio, após variação de 0,57% em abril.
Já no Rio de Janeiro a inflação caiu pela metade, passando de 0,83% em abril para 0,40% em maio. Os preços de alimentos e bebidas no Rio de Janeiro avançaram apenas 0,23% em maio, ritmo bem inferior ao da média nacional (0,48%). Já o grupo despesas pessoais teve deflação de 0,28% no Rio, mas alta de 0,09% no país.
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Lucianne Carneiro, Valor — Rio, 25/05/2021

