Os juros futuros encerraram a sessão desta sexta-feira (21) com viés de queda, mais intensa nos trechos intermediário e longo da curva, após o governo reduzir as projeções para o déficit primário em 2021 de 3,5% para 2,2% do PIB.

Deste modo, as taxas terminaram o dia na contramão do dólar, que exibia alta firme, acima de 1,4%, acima dos R$ 5,35, por volta das 16h05.

Finalizado o pregão regular, às 16h, as taxas dos contratos futuros de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passaram de 4,99% no ajuste anterior para 4,995%; as do DI para janeiro de 2023 ficaram inalteradas em 6,75%; as do DI para janeiro de 2025 tiveram baixa de 8,23% para 8,18%; e as do DI para janeiro de 2027 caíram de 8,82% para 8,77%.

— Foto: Fritz Benning/Unsplash


O secretário especial da Fazenda, Bruno Funchal, revelou nesta sexta-feira que o Ministério da Economia revisou a projeção de déficit primário para este ano de 3,5% para 2,2% do PIB. No ano passado, o resultado primário foi deficitário em cerca de 10% do PIB diante dos gastos no combate à pandemia. “Tivemos um ano difícil, mas voltamos e estamos no processo de consolidação fiscal”, afirmou Funchal, na tarde desta sexta.

“Foi uma revisão muito grande, é praticamente o equivalente a um mês completo de emissões do Tesouro”, diz um operador de renda fixa de uma corretora estrangeira, que prefere não ser identificado. “O mercado de juros estava em um dia sem muita direção até essa notícia, com um volume reduzido de negociações. Fez uma grande mudança no humor.”

De acordo com o sócio de uma gestora, a saúde das contas públicas brasileiras se torna, assim, “mais positiva”. “A curva de juros também já vinha apresentando uma dinâmica diferente nas últimas sessões, com a queda dos preços de commodities”, nota esse profissional, ao explicar o recuo das taxas nesta sexta-feira.

Na semana que vem, os olhos dos agentes estarão voltados a dados importantes e que podem ter influência sobre a dinâmica do mercado de juros, como o IPCA-15 de maio, na terça-feira (25), e o IGP-M de maio, na sexta-feira (28). No exterior, o comportamento do mercado de títulos do Tesouro americano (Treasuries) também continua no radar, com a divulgação da segunda leitura do PIB dos EUA do primeiro trimestre, do índice de preços de gastos com consumo (PCE) de abril e de indicadores de confiança do consumidor.

 

Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Felipe Saturnino e Victor Rezende, Valor — São Paulo, 21/05/2021