No momento em que os ativos locais ainda se mostram bastante atrelados ao comportamento do mercado americano, os juros futuros encerraram o pregão regular desta quinta-feira em queda. O movimento é semelhante ao observado nos retornos dos títulos do Tesouro americano (Treasuries), que também puxaram para baixo o dólar em relação ao real e a outras moedas de mercados emergentes. Durante a manhã, as taxas chegaram a rondar os ajustes no momento do leilão de títulos públicos do Tesouro Nacional, mas o viés de queda se mostrou predominante.

No fim da sessão regular, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2022 passava de 5% no ajuste anterior para 4,98%; a do DI para janeiro de 2023 caía de 6,83% para 6,75%; a do contrato para janeiro de 2025 cedia de 8,34% para 8,21%; e a do DI para janeiro de 2027 recuava de 8,92% para 8,81%. Desse modo, o spread entre as taxas dos DIs para janeiro de 2022 e de 2027 diminuía de 3,92 para 3,83 pontos percentuais.

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O recuo das taxas futuras foi firme desde o início do pregão, em especial nas mais longas, que já vinham pressionadas desde o início da semana. O dia, assim, foi de diminuição da inclinação da curva de juros, com queda mais pronunciada dos juros de longo prazo, enquanto os mais curtos observaram recuo menos expressivo. Desse modo, o spread entre as taxas dos DIs para janeiro de 2022 e de 2027 diminuiu de 3,92 para 3,83 pontos percentuais.

A curva voltou a se mostrar bastante atrelada ao comportamento do mercado de Treasuries. Hoje, a demanda por Treasuries se mostrou sólida diante da recuperação dos ativos de risco e após a “conversa fiada” da ata da reunião de política monetária do Federal Reserve (Fed, o BC dos Estados Unidos), como aponta o chefe de estratégia de juros americanos da BMO Capital Markets, Ian Lyngen. Para ele, “mesmo no contexto de reconhecimento do Fed de que as conversas sobre o ritmo de compras de ativos estarão no radar nos próximos meses, a realidade é que tanto o timing do ‘tapering’ quanto o nível definitivo dos juros dos Treasuries estão atrasados em relação à economia real”.

O alívio na curva também se dá no contexto de aprovação, na Câmara dos Deputados, da medida provisória que viabiliza a privatização da Eletrobras, o que, de acordo com os analistas da Renascença, contribuiu com algum sentimento favorável para o desempenho dos ativos locais.

A queda das taxas curtas, porém, se mostrou menos intensa no dia em que a Receita Federal apontou que a arrecadação total em abril foi a melhor para o mês na série histórica. No mês passado, a arrecadação somou R$ 156,8 bilhões, nível acima do esperado pelo mercado, o que ajuda na constatação de desempenho melhor do que o esperado da atividade neste início de ano.

 
 
 

Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Victor Rezende, Valor — São Paulo, 20/05/2021