Municípios como Jundiaí (SP), Maringá (PR) e Goiânia (GO) disparam iniciativas que possam unir a sociedade civil e os órgãos públicos no planejamento sustentável das cidades. Na cidade do interior paulista, a criação de uma nova política de transformação de resíduos gerados pela construção civil gerou uma economia anual de R$ 3 milhões aos cofres municipais. Com a mudança, o governo deixou de comprar produtos como areia e brita, usados para reformar e pavimentar calçadas e meios­fios. Segundo o engenheiro Gilberto Carneiro, diretor de obras da prefeitura, a cidade de 400 mil habitantes produz mais de 200 mil toneladas de resíduos de construção ao ano, sendo 59% do total originados em reformas residenciais. "Precisamos de alternativas para tratar o lixo porque o espaço para aterros está acabando", diz.

Para aproveitar o material excedente das obras, a prefeitura de Jundiaí construiu uma usina para reciclar entulhos. No ano passado, a unidade, que inclui um pátio de recepção de 50 mil metros quadrados, criou uma área de triagem mecanizada, com esteira, em que 30 funcionários separam materiais como pedras e pedaços de madeira. Carneiro afirma que, para a triagem ser mais produtiva, foi criado um sistema on­line de fiscalização das caçambas nas ruas. Por meio de fotos, os funcionários da prefeitura alimentam um banco de dados com informações sobre o conteúdo dos contêineres, classificados de acordo com o potencial de reciclagem. "No início do projeto, a usina recebia 50 caçambas ao mês. Hoje, são 350 ao dia", diz. Para dinamizar o trabalho, a população é orientada sobre como dispensar o material nas coletoras.

Segundo o gestor, que trabalhou 30 anos na iniciativa privada e está há sete na área pública, um dos maiores desafios do projeto é vencer a resistência de fornecedores do setor de construção. "Muita gente não gostou porque a prefeitura estava economizando dinheiro. Diziam que, se usassem o material reciclado, não garantiriam o sucesso das obras". O modelo adotado em Jundiaí deve ser utilizado em outras cidades paulistas, como Penápolis. A prefeitura penapolense já adquiriu um equipamento para o processamento de resíduos da construção, com capacidade para 15 toneladas diárias. Segundo o Departamento Autônomo de Água e Esgoto de Penápolis (Daep), a cidade produziu, ao mês, cerca de 680 toneladas de sobras de construção, durante 2015. A máquina foi adquirida por meio de convênio com o Fundo Estadual de Controle da Poluição (Fecop), em um investimento de R$ 218,5 mil.

Para Sílvio Barros, ex­prefeito de Maringá, é preciso articular a sociedade civil e o poder público para garantir avanços no planejamento sustentável das cidades. Barros é um dos responsáveis pelo projeto O Futuro da Minha Cidade, iniciativa da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC), idealizada em 2012, que pretende sensibilizar lideranças municipais sobre as principais necessidades urbanas. "Vamos mostrar que é possível fazer parcerias com as prefeituras para assegurar o crescimento econômico e a qualidade de vida", diz. Mais de dez cidades, como Belém (PA) e São Luís (MA), já participam da ação, que inclui  seminários, criação de propostas e acompanhamento de obras. Em Goiânia, o projeto da CBIC foi uma das inspirações para a fundação, em 2015, do Conselho de Desenvolvimento Estratégico, Sustentável e Econômico (Codese). "Nosso objetivo é que a cidade saia do 45º lugar no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) para figurar entre as dez melhores cidades brasileiras para se viver, até 2033", diz Renato Correia, presidente do Codese.

Para isso, o conselho chamou 15 associações, como o Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Goiás (Sinduscon­GO), e criou onze câmaras técnicas, de setores como segurança e tecnologia, para apresentar, em junho, propostas aos candidatos à prefeitura da capital. A ideia é desenvolver ações ligadas à qualificação da gestão pública e desenvolvimento  urbano.


Fonte: APeMEC, 18/05/2016