A ausência de noticiário relevante nesta segunda-feira contribuiu para um pregão com poucos movimentos no mercado de câmbio. Após um início de dia em alta, refletindo a cautela observada lá fora, a moeda americana foi entregando os pontos ao longo da sessão e encerrou praticamente estável, com investidores monitorando ainda a cena política e na expectativa pela manutenção do ingresso de receitas da safra.

No encerramento do dia, a moeda americana foi negociada em queda de 0,09%, a R$ 5,2657, após tocar R$ 5,3203 na máxima intradiária. No mesmo horário, ela caía 0,45% frente ao peso colombiano, 0,26% ante o rublo russo e 1,67% contra a lira turca. Na outra ponta, subia 2,23% na comparação com o peso chileno. O ativo é afetado pela vitória de candidatos independentes na eleição da Constituinte no país, que eleva as incertezas sobre as perspectivas naquele país.

Segundo Vanei Nagem, diretor de câmbio da Terra Investimentos, o noticiário ameno facilita a manutenção de um viés de queda da moeda americana no Brasil, dado que a tendência das últimas semanas têm sido de entrada de dólares no país.

Ele nota ainda que questões como a leitura de um parecer favorável, na CCJ, do projeto de reforma administrativa, podem ajudar a manter o ambiente positivo. "O principal risco é a CPI da covid. Mas, se nada demais ocorrer, a tendência é seguir o fluxo, que é de entrada", diz.

Segundo apurou o Valor, o Planalto teme que os depoimentos do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e do ex-chanceller, Ernesto Araújo, rifados na última reforma ministerial de Bolsonaro, possam abrir novos capítulos desfavoráveis ao Planalto, em um momento em que a insatisfação com o presidente está nas máximas, segundo pesquisas de opinião. Ambos deve depor esta semana, e são conhecidos pelo pouco jogo de cintura político. Pazuello conseguiu um habeas corpus parcial no STF que o permite se manter em silêncio diante de perguntas que possam incriminá-lo.

De volta à seara econômica, o bom desempenho dos preços das commodities, em ambiente de manutenção dos estímulos monetários por grandes bancos centrais, inclusive, foi um dos fatores que levou o banco Fibra a revisar sua projeção do câmbio para o fim do ano, de R$ 5,50 para R$ 5,30.

"Vemos espaço para moeda menos desvalorizada nos próximos meses, pois julgamos que os determinantes do câmbio real de equilíbrio (isto é, termos de troca, variação do passivo externo líquido e prêmio de risco-país) apontam para alguma valorização da moeda”, diz o banco em comentário semanal. “Entretanto, mantemos nosso antigo call de que o Real deve manter-se depreciado em termos reais num “equilíbrio” ruim associado à combinação de baixa taxa de crescimento do PIB potencial, baixa taxa de juros real neutra e taxa de inflação relativamente alta quando comparada com outros mercados emergentes.”

Dado a performance das últimas semanas, analistas gráficos do Commerzbank entendem que o dólar formou um ponto de suporte interino nos R$ 5,198 alcançado este mês. “Mantemos nossa visão pessimista de médio prazo enquanto a moeda americana permanece abaixo da máxima de maio, de R$ 5,4842”, acrescenta o banco alemão em relatório.


Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Marcelo Osakabe — De São Paulo, 17/05/2021