As expectativas de inflação para 2022, ano que está no centro das decisões de política monetáriaficaram estáveis na semana passada, em 3,61%. A questão é se vão parar de piorar, depois que o Banco Central (BC) fez altas mais fortes nos juros do que os analistas econômicos esperavam.

As expectativas seguem acima do centro da meta, de 3,5%, mas o fato de terem ficado paradas na semana é uma boa notícia. Pelo menos dois indicadores antecedentes apontavam uma tendência de alta: as expectativas coletadas nos cinco últimos dias e a média das expectativas.

As expectativas renovadas pelos analistas nos últimos cinco dias de abril haviam subido para 3,74%, acima da mediana das projeções. Esse foi um sinal de que os analistas econômicos que estavam ativamente reexaminando o cenário inflacionário previam inflação mais alta. Se essa tendência se firmasse, era esperado que a mediana das expectativas seguisse o mesmo caminho.

Mas aconteceu o contrário. As expectativas renovadas pelos analistas na semana passada recuaram, para 3,62%, ante os 3,74% da semana anterior. Os dados devem ser vistos com cautela porque o número de analistas que renovou as suas estimativas para a inflação na semana passada (34) é bem menor do que na semana anterior (82). Um número maior de analistas costuma renovar as suas projeções às vésperas das reuniões do Comitê de Política Monetária (Copom).

O outro fator que indicava pressão sobre as expectativas é que a média das estimativas coletadas pelo Banco Central já estava em 3,7% há duas semanas. Quando a média sai na frente, a mediana costuma seguir.

A média das projeções ficou estável na semana, em 3,7%, outro dado encorajador. As informações de uma semana são pouco para conclusões definitivas. Pode levar mais algum tempo para a expectativa mediana convergir para a média. Mas um respiro depois de várias semanas de alta não deixa de ser uma boa notícia.

O que será preciso examinar, ao longo do tempo, é se as expectativas estão respondendo ao câmbio e juros. A cotação do dólar caiu na semana passada. Um estudo do Banco Central mostra que a taxa de câmbio tem alguma influência nas expectativas, sobretudo de curto prazo.

Outra novidade foi o Copom ter sido mais conservador na semana passada, encomendando outra alta de juro de 0,75 ponto percentual para junho e deixando mais claro que não tem compromisso com um ajuste parcial dos juros.

A alta das expectativa de inflação tem sido um ponto de preocupação no Banco Central e, nas últimas semanas, foi mencionado pelo seu diretor de política monetária, Bruno Serra Fernandes, como um dos motivos para a aceleração do aperto monetário a partir de março.

 

Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Alex Ribeiro, Valor — São Paulo, 10/05/2021