A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), medida dos investimentos em máquinas, construção civil e pesquisas, reforçou a bateria de indicadores frustrantes da atividade econômica do primeiro trimestre ao crescer apenas 0,6% frente aos três últimos meses do ano passado, segundo estimativa divulgado ontem pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

Se confirmada no fim deste mês, quando o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulga dados do Produto Interno Bruto (PIB), a estimativa do Ipea vai reforçar a percepção que os investimentos seguem em ritmo "muito ruim" e condicionados à aprovação da reforma da Previdência, disse Leonardo Carvalho, pesquisador do Ipea.

"Vimos ocorrer a deterioração de uma série indicadores do fim do ano e até agora. Isso pode estar associado a fatores como a crise da Argentina, já que a indústria sofreu bastante com queda da demanda, e a turbulência do processo político da reforma da Previdência", disse Carvalho, ao comentar o resultado do indicador neste início de ano.

O resultado ficou positivo graças ao indicador de construção civil, que avançou 1,7% no primeiro trimestre em relação ao quarto trimestre. Segundo Carvalho, o avanço é explicado pelo crescimento da produção de insumos da construção. Para ele, o resultado tem pouco a ver com uma melhora efetiva do setor e, na verdade, estaria relacionado a uma baixa base de comparação.

"Não é exatamente um melhora. O que temos é uma base de comparação muito fraca. Na verdade, o que temos visto é uma deterioração de indicadores de confiança da construção nos últimos meses. Até existe uma melhora nos estoques de residência, mas o essencial para frente é a melhora ligada a concessões, infraestrutura, que ainda não veio", disse o economista.

O consumo aparente de máquinas e equipamentos (Came), que inclui a produção doméstica menos as exportações mais as importações, teve queda de 1,5% no primeiro trimestre do ano, frente ao quarto trimestre. Esse resultado só não foi mais negativo por causa de efeitos contábil do Repetro, regime tributário do setor de óleo e gás.

"Não temos o cálculo exato do efeito do Repetro, mas ele ajudou a melhorar principalmente o resultado dos investimentos em janeiro. Sem ele, o crescimento de 0,6% dos investimentos no primeiro trimestre teria sido menor", disse Carvalho, que evitou estimar se a FBCF teria tido queda sem esses efeitos contábeis.

Com o resultado do primeiro trimestre, Carvalho reconhece que a projeção de crescimento dos investimentos neste ano ganha um viés de baixa. O instituto prevê crescimento de 4,7% dos investimentos medidos no Produto Interno Bruto (PIB) neste ano. O Ipea vai aguardar, porém, a divulgação do PIB do trimestre, em 30 de maio, para revisar os números.


Fonte: Valor-Brasil, por Bruno Villas Bôas - do Rio, 08/05/2019