O Comitê de Política Monetária (Copom) elevou ontem a taxa básica de juros (Selic) de 2,75% para 3,5% ao ano. Foi a segunda alta consecutiva no ano e confirmou indicação feita na reunião de março. No comunicado da decisão de ontem, o Copom prevê novo aumento de 0,75 ponto percentual em junho, o que elevaria a Selic para 4,25% ao ano, mas deixa claro que pode mudar de ideia.

A sinalização de mais uma alta da mesma magnitude é menos firme do que a feita na reunião anterior do colegiado, o que pode empurrar o mercado para apostas de aperto monetário maior nos contratos futuros de juros.

O comunicado de ontem é uma cópia da versão anterior, de março, com exceção do trecho que dizia que o colegiado só mudaria de opinião caso ocorresse uma “mudança significativa nas projeções de inflação e do balanço de riscos”. “Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros [elevação a nível que ainda anima a atividade], com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica”, diz o comunicado. No entanto, o colegiado enfatizou que “não há compromisso com essa posição”. “Os passos futuros da política monetária poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação”, diz o texto.

O Copom reiterou que considera os choques inflacionários atuais “temporários”, mas também reforçou que “segue atento” à evolução dos fatos. “Com exceção do petróleo, os preços internacionais das commodities continuaram em elevação, com impacto sobre as projeções de preços de alimentos e bens industriais”, diz o comunicado. A mudança para a bandeira tarifária vermelha no preço da energia elétrica “deve manter a inflação pressionada no curto prazo”, advertiu.

 

Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Estevão Taiar e Alex Ribeiro — De Brasília e São Paulo, 06/05/2021