A BR Properties registrou, de janeiro a março, seu melhor primeiro trimestre em novas locações dos últimos sete anos. O volume de locações chegou a 11.896 m2 de área bruta locável (ABL), incluindo São Paulo e do Rio de Janeiro. Entre os novos inquilinos, estão empresas de tecnologia - com destaque para a IBM, que alugou 5.090 m2 do Ventura, no Rio -, energia e consultoria.

“Temos um portfólio com especificações técnicas, serviços e acesso ao transporte público, características buscadas pelas empresas para terem condições de atraírem os melhores talentos”, diz o presidente, Martín Jaco. Há demanda, segundo ele, por parte de empresas em crescimento e de ocupantes que buscam espaços de mais qualidade, movimento conhecido como “flight to quality”.

O presidente ressalta que a companhia tem registrado volume relevante de novas locações desde o quarto trimestre, que respondeu por 57% do total alugado no ano passado. “Com a vacinação contra a covid-19, as empresas estão tirando seus planos da gaveta”, acrescenta Jaco.

Considerando-se o valor médio de locação por m2 das mesmas propriedades, houve aumento nominal de 12,1%, no trimestre, na comparação anual. Em relação ao quarto trimestre, a alta foi de 7,6%. A expansão foi puxada por reajustes dos contratos vigentes, segundo o diretor financeiro e de relações com investidores, André Bergstein.

A BR Properties tem elevado seus contratos pelo Índice Geral de Preços - Mercado (IGP-M) nos casos em que, com esse reajuste, o valor da locação não ultrapassa o de mercado. Se necessário, utiliza parte da variação do indexador ou faz a correção pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Atualmente, 80% dos contratos são indexados ao IGP-M, ante 90% no fim de 2019.

A taxa de vacância física da companhia cresceu de 20,1% para 21,2%, na comparação anual, mas a vacância financeira teve queda de 19,3% para 18,6%. “As principais ocupações ocorreram nos imóveis mais caros”, conta o presidente.

No trimestre, a BR Properties concluiu a compra de duas das três torres corporativas que possui no Complexo Parque da Cidade, na zona Sul da capital paulista, por R$ 832,5 milhões. Por outro lado, vendeu empreendimentos por R$ 63,7 milhões. “A companhia está muito ativa na compra e venda de ativos”, diz Jaco. Os recursos da comercialização de edifícios têm sido destinados à recompra de ações.

No primeiro trimestre, o lucro líquido da BR Properties caiu 7%, para R$ 13,4 milhões, apesar do aumento de 8% da receita líquida, para R$ 82,3 milhões. A piora do resultado deveu-se ao aumento de 136% da despesa financeira líquida, para R$ 17,2 milhões. A captação de R$ 400 milhões e a alta da Selic contribuíram para a maior despesa financeira, segundo Bergstein. A rubrica “outras despesas operacionais”, no valor de R$ 12,2 milhões, também teve participação na queda do lucro.

 

Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão — De São Paulo, 06/05/2021