O mercado teve reação inicial positiva diante da divulgação, pela Gafisa, de que há interessados em avaliar aquisição de participação societária nas divisões Gafisa e Tenda, em conjunto ou separadamente. As ações da companhia fecharam o pregão de quinta-­feira da BM&FBovespa em forte valorização de 12,4%, cotadas a R$ 2,80.

 Segundo o presidente da Tenda, Rodrigo Osmo, "é muito natural haver interessados no grupo Gafisa". "A companhia deveria ser negociada a patamares atraentes, mas ainda é negociada com o desconto do setor", diz Osmo. Há conversas com potenciais interessados, mas nenhuma proposta foi feita, de acordo com o presidente da Tenda.

O Rothschild será o assessor técnico da Gafisa na operação. O banco já assessorava Gafisa e Tenda na preparação para a cisão das duas divisões.

Osmo destacou que o grupo Gafisa concluiu sua guinada operacional, tem uma das menores alavancagens do setor, e que as três empresas que o compõem ­ Gafisa, Tenda e Alphaville ­ estão equacionadas. Das 105 obras que compunham o legado das safras antigas da Tenda há três anos, as três que faltam ser concluídas serão entregues até a metade de 2015. No primeiro trimestre, o desempenho operacional do setor piorou, mas os lançamentos da Tenda cresceram 31%, e as vendas aumentaram 370%.

 A companhia divulgou também que há possibilidade que o processo de cisão das divisões Gafisa e Tenda se estenda até 2016. Segundo o diretor financeiro e de relações com investidores da Tenda, Felipe Cohen, a postergação da cisão deve­-se ao fato de as dificuldades para equacionar a estrutura de capital de Gafisa e Tenda estarem maiores do que as previstas, em função do momento de mercado, com crédito mais restrito.

 Em relatório, o Citi informou continuar cético com a viabilidade de Gafisa e Tenda serem negociadas separadamente no mercado, devido aos tamanhos reduzidos das operações e da baixa lucratividade. BTG Pactual e J.P. Morgan reiteraram a recomendação de compra para as ações da companhia. O BTG disse acreditar que as conversas com um potencial comprador possam ser bem recebidas por investidores, e que a operação pode ocorrer acima da avaliação atual do mercado da companhia.

Na quinta-­feira, houve também questionamentos por uma parcela do mercado pelo fato de a companhia divulgar o interesse de grupos de investidores, mesmo sem ter sido questionada pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Há quem avalie que não faria sentido esse tipo de divulgação, a não ser que haja interessados em valorizar as ações da incorporadora.

A Gafisa não possui um controlador, o que significa que um potencial interessado teria de fazer uma oferta pública pela companhia e não negociar com controladores, como ocorreria no caso de uma empresa de dono.

De acordo com informações do site da Gafisa, o "free float" da companhia é de 68,68%. A gestora de recursos Polo Capital e a Fundação dos Economiários Federais (Funcef) possuem as maiores fatias da companhia, de 7% e 5,47%, respectivament


Fonte: Valor Econômico, por Chiara Quintão, 04/05/2015