A carteira de crédito da Desenvolve SP, o banco de fomento do Estado de São Paulo, cresceu 56% no ano passado, para R$ 1,98 bilhão, e a demanda das empresas segue muito forte, segundo o presidente da instituição, Nelson de Souza. De acordo com ele, o capital de giro representa para as empresas o que o auxílio emergencial é para a população.
Em fevereiro, o banco anunciou uma linha de R$ 100 milhões em crédito para micro e pequenas empresas, que já se esgotou. Em março, abriu outra, de R$ 50 milhões para os setores mais afetados, como lazer, turismo e bares e restaurantes, incluindo aqueles que possuem débitos com o Estado. “Nessa segunda linha, em menos de duas semanas já tínhamos mais de 6 mil pedidos e R$ 29,5 milhões concedidos”, conta executivo, que já comandou a Caixa e o Banco do Nordeste. “A demanda por capital de giro é infinita, mas a oferta, infelizmente, não.”
Segundo Souza, no primeiro trimestre de 2020 a Desenvolve SP recebeu mais pedidos de crédito do que ao longo de seus 11 anos de existência. Para lidar com essa forte demanda, que continua em 2021, o banco vem buscando diversificar suas fontes de funding, ficando menos dependente dos aportes do Estado.
Além de repassar recursos do BNDES, da Finep e do Fungetur, a instituição fechou no ano passado uma captação de US$ 50 milhões com o Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) e está em negociação para obter linhas da International Finance Corporation (IFC), braço do Banco Mundial para investimentos no setor privado, e do Banco dos Brics (NDB). A meta é captar quase R$ 4,5 bilhões até o fim de 2022. Além disso, a Desenvolve SP planeja realizar em breve a primeira venda de carteira da sua história, de R$ 100 milhões.
Mesmo com a forte expansão da sua carteira em 2020, a Desenvolve SP conseguiu reduzir a inadimplência para 0,47%, de 1,61% em 2019. Souza diz que, assim como nos bancos privados, a taxa de calote foi beneficiada pelas pausas nos pagamentos oferecidas aos clientes. A carência já acabou, mas, segundo o executivo, os indicadores continuam bons por causa do esforço de cobrança da instituição. Ele afirma que os níveis de provisionamento do banco consideram uma eventual volta da taxa de calotes para até 3,8% este ano, no pior cenário.
“Emprestamos com muita coerência, não fazemos doação. Minha preocupação maior é de haver mais uma recidiva da pandemia, porque não tem empresa que aguente esse abre e fecha”, diz. Ainda assim, ele diz acreditar que o avanço da vacinação deve melhorar a atividade econômica, especialmente no segundo semestre.
O lucro líquido da Desenvolve SP atingiu o recorde de R$ 48,9 milhões em 2020, com alta de 3%. A receita de prestação de serviço cresceu 108%, a R$ 37,4 milhões.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Álvaro Campos — De São Paulo, 03/05/2021

