Os pequenos negócios entraram de vez no radar de bancos digitais e fintechs. A explicação é simples: das 20 milhões de empresas ativas no Brasil, mais de 90% são de micro e pequeno porte, com maior predominância dos microempreendedores individuais (MEIs), que representam 11,3 milhões de CNPJs, segundo dados do “Mapa de Empresas”, do governo federal.

Cinco fintechs e bancos digitais ouvidos pelo Valor têm, somados, cerca de 1,2 milhão de contas PJ. Com soluções totalmente digitais, o objetivo desses players é levar aos pequenos negócios uma experiência mais fácil, rápida e barata em relação ao que normalmente os empresários de menor porte têm acesso nos grandes bancos.

O Inter, que soma uma carteira com mais de 800 mil clientes PJ, tem uma conta corrente gratuita 100% digital para PMEs desde junho de 2017. Isenta de tarifas, disponibiliza até cem TEDs e cem boletos por mês; Pix gratuito e ilimitado; boletos de cobrança e de depósito; entre outros serviços. No ano passado, o banco digital lançou um cartão de crédito sem anuidade, em que é possível gerenciar múltiplos centros de custo da empresa.

“Temos soluções de câmbio, plataforma de adquirência, em que os clientes podem fazer gestão das vendas e antecipar recebíveis”, conta Ray Chalub, COO do Inter. No pipeline, o executivo diz que a ideia é oferecer mais soluções de gestão para os clientes por meio da plataforma bancária. E isso pode ocorrer com desenvolvimento de soluções internamente, via parcerias ou até mesmo aquisições de negócios que complementem a oferta, afirma Chalub.

A fintech Cora lançou oficialmente uma conta digital para PME em outubro do ano passado, após receber a licença do Banco Central (BC) para operar como o banco 403. A startup também oferece cartão de débito com bandeira Visa, Pix sem taxas, além de ferramentas de gestão e de automatização do processo de cobrança. Este ano, o principal objetivo é dar crédito para os clientes - pequenas empresas que faturam até R$ 5 milhões por ano -, conta Igor Senra, cofundador e CEO da Cora. A base atualmente soma 68 mil clientes, com previsão de atingir 380 mil até o fim do ano.

Em junho de 2020, a fintech recebeu autorização do BC para funcionar como Sociedade de Crédito Direto (SCD), o que lhe permite realizar empréstimos com capital próprio. O primeiro produto que deve ser lançado pela Cora é o cartão de crédito, cujos testes começaram no ano passado. A expectativa é colocá-lo na rua no primeiro semestre, diz Senra. A fintech está capitalizada para seus novos projetos. No início de abril, recebeu um aporte de US$ 26,7 milhões (mais de R$ 150 milhões, no câmbio da época).

Quem também começa a avançar nos pequenos negócios é o C6 Bank. Desde sua criação, há dois anos, o banco digital fundado por ex-sócios do BTG Pactual tinha entre os planos a criação de uma oferta para PME. E isso vem se concretizando nos últimos meses. “Temos uma estratégia que combina oferta digital completa, ilimitada, com distribuição ‘omnichannel’”, explica Marcos Massukado, sócio do C6 Bank, que tem 250 mil contas PJ. O banco digital acaba de lançar uma nova geração de maquininhas, num modelo ‘multiadquirência’, integrando num mesmo terminal os sistemas de maquininhas de todos os players do mercado.

A Conta Simples, lançada em 2019, aposta em uma plataforma de cartões corporativos, vinculada a uma conta digital. O foco são PMEs da nova economia, como empresas de tecnologia e startups. “Temos crescido 60% ao mês”, afirma Rodrigo Tognini, cofundador e CEO da Conta Simples. A fintech passou de 20 mil clientes e já transacionou R$ 1,5 bilhão.

O BTG Pactual, que fez o lançamento da sua plataforma digital para PME em setembro de 2020, mira negócios que faturam entre R$ 3 milhões e R$ 300 milhões anuais. De lá pra cá, já soma mais de 10 mil clientes cadastrados e mais de R$ 11 bilhões em crédito concedido. O BTG+ Business começou dando foco ao crédito e vem incluindo novos produtos e serviços, como soluções de cash management.


Fonte: Valor Econômico - Suplementos, por Danylo Martins — Para o Valor, de São Paulo, 30/04/2021