Depois de reduzir o juro do crédito habitacional para pessoas físicas, a Caixa Econômica Federal anuncia, nesta terça-feira, um corte em uma das principais modalidades para pessoa jurídica. A taxa da linha de capital de giro para médias e grandes empresas cai de 1,37% ao mês, ou 17,74% ao ano, para 0,85% ao mês, ou 10,69% ao ano. A redução é de 52 pontos percentuais, redução de 38%. A taxa média do mercado em fevereiro, segundo dados do BC, era de 18,7% ao ano (1,44% ao mês).
Segundo o diretor do segmento corporativo da Caixa, Roberto Luiz Bachmann, o ajuste das taxas vinha sendo estudado pela área corporativa e o banco entendeu que era o momento adequado de fazer, considerando, também, a disponibilidade de R$ 11 bilhões para essa modalidade. "Nossa movimentação se dá de forma sustentável. Temos a responsabilidade de garantir a rentabilidade da carteira e todos os marcos regulamentares como Basileia 3", explica Bachmann.
A redução de custo acontece em um momento de firme aumento na procura por crédito por parte das empresas. Segundo Bachmann, a mesa de operações corporativas da Caixa registrou crescimento de 60% nas consultas em março em comparação com a média de janeiro e fevereiro. "Estamos percebendo o mercado se movimentando na busca por recursos. Esse movimento se tornou mais pronunciado em março. E a expectativa é que se incremente ainda mais pela tendência observada agora em abril", afirma.
O capital de giro é a principal linha da carteira corporativa da Caixa. Sem destinação específica, ela é normalmente utilizada para necessidades de pagamento das empresas. Segundo Bachmann, o banco avalia a redução de taxas de outras linhas do segmento pessoa jurídica, como investimentos. Os estudos já foram feitos pela área corporativa e estão em avaliação dentro de outras áreas do banco. "Estamos vivendo um momento de recuperação da economia e é importante que empresas públicas, como a Caixa, possam contribuir para essa retomada", afirma.
Considerando os dados do BC, o crédito para as empresas não mostra reação, algo que já aconteceu nos financiamentos para as famílias no ano passado. O estoque total acumula uma queda de 6,7% nos 12 meses encerrados em fevereiro, somando R$ 1,4 trilhão. Parte disso é atribuído à redução do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no crédito direcionado. Mas, considerando apenas os recursos livres, também há queda de 1,8% em 12 meses. Em fevereiro, no entanto, houve breve reação, com alta de 0,2% no estoque, que soma R$ 712,4 bilhões.
Segundo Bachmann, a inadimplência no segmento corporativo está controlada. "Nada que nos exponha tão significativamente quando se fala em carteira, há apenas questões pontuais", diz. As novas taxas de capital de giro se destinam a empresas com faturamento acima de R$ 30 milhões por ano. O prazo total pode chegar a 48 meses. As taxas finais variam de acordo com os indicadores financeiros de cada empresa e da relação com a Caixa.
Fonte: Valor - Finanças, por Eduardo Campos, 24/04/2018

