A Roca Sanitários Brasil dá início à produção nacional de metais sanitários, como uma aposta de médio e longo prazo, no país, do grupo espanhol Roca. Com isso, busca reforçar a postura de fabricante local. "As taxas de crescimento da economia desaceleraram, mas acreditamos no potencial do país", afirmou ao Valor o diretor-presidente da empresa, Joan Jordà.
A Roca inaugura, hoje, em Vitória do Santo Antão (PE), ao lado de Recife, sua primeira fábrica de metais sanitários na América Latina, a oitava mundial do grupo na área.
Os investimentos da Roca na unidade somaram R$ 44 milhões, incluindo terreno, obras civis e equipamentos. Os aportes foram feitos com recursos próprios do grupo espanhol, sediado em Barcelona. Quando atingir a plena operação, prevista para daqui a três anos, a nova fábrica terá capacidade de 1,5 milhão de unidades de metais sanitários por ano. A expectativa é que, em 2014, a produção atinja de 300 mil a 400 mil peças.
Inicialmente, a fábrica produzirá oito linhas de metais - torneiras, misturadores e acessórios para banheiros - com as marcas Roca e Celite, voltadas, respectivamente, para os segmentos médio e luxo; e médio e econômico.
Em louças sanitárias, a empresa atua com cinco marcas no Brasil: Laufen (segmento premium), Incepa (médio) e Logasa (econômico), além de Roca e Celite. Em pisos e revestimentos cerâmicos, a empresa tem a marca Roca para os segmentos luxo e premium e a Incepa, para as faixas econômica e médio luxo.
Neste ano, o faturamento da Roca Sanitários Brasil terá crescimento de 5% a 10%, ante os R$ 944 milhões de 2013, segundo o diretor-presidente. Desde 2011, o país é o maior mercado mundial do grupo espanhol. No mundo, o Grupo Roca faturou € 1,6 bilhão em 2013.
Em 2011, a Roca deu início à montagem de peças de metais sanitários em Jundiaí (SP), a partir de componentes comprados de terceiros no Brasil e trazidos de fábricas do grupo da Europa e da China. Atualmente, são montadas 30 mil peças por mês (360 mil peças/ano). À medida que o uso da capacidade da fábrica de Vitória do Santo Antão crescer, a montagem dos metais em Jundiaí será reduzida, até que essa linha deixe de operar.
Os metais produzidos em Pernambuco vão atender aos clientes da Roca de todo o país, além de abastecer mercados como Paraguai, Uruguai, Chile e Bolívia. No momento, as exportações de metais para a Argentina não são prioridade, segundo Jordà, devido às maiores dificuldades impostas pelo país vizinho a importações. No Brasil, os produtos do grupo estão presentes em 35 mil pontos de vendas.
Uma das razões da escolha do município pernambucano para a instalação da fábrica de metais foi o fato de o Nordeste ser a segunda região em participação nas vendas do grupo no Brasil e a de maior crescimento. Outro motivo é a proximidade com a unidade de louças da Roca situada no mesmo estado, a 40 quilômetros de distância.
No segmento de louças, o grupo possui também fábricas em São Paulo, Minas Gerais e no Espírito Santo e, em revestimentos cerâmicos, unidades no Paraná. No total, a Roca Brasil tem cinco unidades de louças, três de revestimentos cerâmicos e, a partir de hoje, uma de metais.
Até agora, a unidade mais recente era a inaugurada em Minas, há um ano e meio. Nessa fábrica de louças, a Roca tinha investido R$ 93 milhões. Daqui para frente, novos investimentos dependerão do crescimento do país e da situação do grupo, de acordo com Jordá. A Roca começou a atuar de maneira mais consolidada no Brasil em 1999, com a compra do Grupo Keramik Holding AG Laufen, que possuía as marcas Incepa, Celite e Logasa.
Fonte: Valor, por Chiara Quintão, 02/04/2014

