A recessão levou boa parte dos brasileiros a desistir da compra de nova casa e a investir em reformas e melhorias de seus imóveis. A redução nas ambições do cliente se reflete no mercado de material e serviços para construção. Em algumas lojas do ramo, o faturamento com reformas, que até 2014 representava 40% do negócio, hoje soma 60%. Já os serviços direcionados para construção de imóvel, caíram na média de 60% para 40%. A opção pela reforma é ilustrada também pelo crescimento das franquias ligadas ao setor de serviços e de reparos. Nos últimos três anos, o faturamento de várias das franqueadoras cresceu entre 30% e 40%. No geral, todas vêm registrando um salto no número de novas lojas.
"Até 2014, cerca de 40% da demanda era para construção, 20% para reforma e os outros 40% para reparos em geral. Hoje essa distribuição se inverteu, 60% dos negócios são focados na área de reformas, 20% em reparos e a construção responde por 20% da demanda", diz Marco Imperador, sócio diretor da franquia Dr. Faz Tudo. Como as obras para reforma custam menos que aquelas para construções, a mudança refletiu na receita. "Foi necessário aumentar o número de atendimentos para alcançar o mesmo faturamento", explica.
A Dr. Faz Tudo tem 45 unidades e a projeção é abrir outras 18 até dezembro. O investimento inicial é de cerca de R$ 80 mil com faturamento mensal esperado de R$ 120 mil. O faturamento da rede alcançou R$ 37 milhões no ano anterior e a projeção para 2016 é crescer 30%, segundo o executivo. A Five Star Pinturas braço brasileiro da Five Star Painting, franquia americana especializada em pinturas residenciais, comerciais e industriais está há pouco mais de cinco anos no Brasil.
Para a empresa, a crise só é notada na mudança de projeto dos compradores. "O que percebemos no mercado é que, em vez de trocar o imóvel por um novo, as pessoas estão fazendo reformas e manutenções nas suas casas, seja para valorizálas, seja para aumentar espaços e conforto", diz o diretor executivo Felipe Villaça Garcia Cruz.
A demanda neste ano, embora não tão generosa quanto em anos anteriores, se mantém em patamares satisfatórios. "Em 2015 a companhia cresceu cerca de 30% sobre 2014. Quando se compara o primeiro bimestre deste ano com o do ano anterior, a alta foi de 15%." Em 2016, a previsão é de um crescimento de 40% a 50%. Isso se deve à abertura de oito novas lojas, somando 20 unidades. "O objetivo é dobrar o número de franquias em 2017. Há muita procura por parte de pessoas que perderam o emprego e não estão conseguindo se recolocar no mercado", afirma.
A franquia Rei da Reforma também registra um crescente aumento na demanda por serviços. "Os proprietários estão preferindo reformar e ampliar suas casas por conta das incertezas políticas e econômicas pelas quais o país atravessa", diz Adilson Gardine da Rocha, dono do Rei da Reforma. A empresa tem quatro unidades instaladas entre Salvador, Rio, São Paulo e Curitiba e faz desde pequenos reparos até reformas como ampliação do imóvel, trocas de janelas, portas, pisos, pinturas. Cerca de 70% dos clientes são residências. "Os trabalhos mais requisitados são de ampliação dos cômodos, construção de novos ambientes e reconstrução da cobertura", diz Rocha. Segundo ele, no ano passado o faturamento cresceu 20% e em 2016 poderá chegar a 30%. "Se o plano de abrir mais oito lojas vingar, podemos atingir uma receita até 60% superior ao do ano anterior", afirma.
A experiência de quase 25 anos no mercado e uma rede de 235 lojas permitem à Casa do Construtor observar mudanças importantes nesse segmento. "Uma delas é a migração de compradores pessoas jurídicas para pessoas físicas", diz Altino Cristofoletti Jr, dono da empresa e vicepresidente da Associação Brasileira de Franchising (ABF). "Até 2014, nossa carteira de clientes era composta de 60% de PJ e 40% de PF. Hoje está 50% para cada lado. Com o aumento do desemprego, um número cada vez maior de desempregados está começando a trabalhar por conta nessa área, e isso tem elevado a demanda em termos de clientes cadastrados", diz.
A Casa dos Construtor é especializada em locação de máquinas próprias para reformas, manutenção e pequenas obras. "Locamos desde uma escada para pintura, um andaime, até equipamentos para fazer concreto, como betoneiras", diz. "Nosso público alvo são pedreiros, encanadores, eletricistas. Além de construtoras de pequeno e médio porte", detalha.
Fonte: APeMEC, 31/03/2016

