O Serviço Social de Construção Civil do Estado de São Paulo (Seconci-SP) relata receber casos de urgência oftalmológica de trabalhadores da construção civil ao menos duas vezes por semana. Entre as principais ocorrências, corpo estranho na córnea, queimaduras por produtos químicos e solda elétrica.

Segundo Marcia Domingues Fernandes, médica oftalmologista do Seconci-SP, o processo inflamatório causado por um objeto pode ser confundido com conjuntivite, e levar o afetado à automedicação. "É de extrema importância que o trabalhador, ao sentir incômodo nos olhos, procure um especialista para evitar que evolua para infecção, ou que o caso se agrave. Caso o fragmento
seja de metal, o ferro pode ser absorvido e se depositar em outras partes do corpo causando outras alterações", disse. A retirada do corpo estranho do olho é realizada através de aparelhos específicos combinados com um colírio anestésico, e deve ser realizada por um profissional habilitado.

Em relação às queimaduras, elas podem ser causadas por materiais álcalis, ácidos, detergentes e óleos e podem ser graves. Portanto, seu tratamento deve ser imediato. Já as causadas por solda elétrica acontecem com menos frequência, e são superficiais. "Essas últimas costumam acontecer quando o soldador retira a máscara para verificar algum detalhe ou então atingem pessoas próximas, que não estão protegidas", afirma Fernandes.

A perfuração intraocular pode ser provocada por um fragmento de metal ou de vidro, e causa inflamação, baixa de visão e dor. Nesses casos, frequentemente há a necessidade de intervenção cirúrgica; por isso, recomenda-se que a ajuda médica seja procurada rapidamente.

O ideal é que, no momento do incidente, o trabalhador lave os olhos com água em abundância, e que não coce o local irritado. Se isso for irresistível, deve-se fazê-lo com um pano limpo e com movimentos de fora para dentro. "Usar o equipamento de proteção individual (EPI) e lavar sempre as mãos com água e sabão antes de colocá-las nos olhos são as medidas de prevenção mais eficazes", conclui a dra.

Mais informações podem ser obtidas no Seconci-SP, pelo telefone (11) 3664-5700 ou site http://www.seconci-sp.org.br/.


Fonte: APeMEC, 29/03/2016