Reservatório está em situação crítica, e 5,6 milhões de pessoas da Grande SP também dependem do sistema
A região de Campinas entrou na disputa por mais água do sistema Cantareira.
A pressão dos municípios é para que, no processo de renovação da autorização para captação de água, que deve começar em maio, ocorra a ampliação da cota do interior.
O chamado Consórcio PCJ, formado por 43 prefeituras e 27 empresas da região de Campinas, reivindica 12 mil litros de água por segundo oriundos do Cantareira, mais que o dobro do autorizado na licença atual, de 5.000 l/seg.
O objetivo é evitar o cenário do ano passado, quando municípios da região tiveram de adotar racionamento e indústrias ficaram sem água.
Hoje, a Sabesp pode captar 31 mil litros por segundo para a Grande SP, mas, com a seca, a média diária caiu para cerca de 14 mil litros --desse montante, a região de Campinas fica com apenas 0,5 mil litros de água por segundo.
Integrantes do consórcio dizem que a reivindicação, definida na sexta (20), tem caráter "inegociável". Isso porque, além de as bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí serem as "doadoras" do Cantareira (suas águas desembocam no manancial), a região de Campinas não tem outras formas de abastecimento.
"Vamos bater o pé para que a renovação aconteça neste ano, e o ponto de partida são os 12 mil litros por segundo. É o necessário e o que pleiteamos", disse o prefeito de Indaiatuba, Reinaldo Nogueira (PMDB), presidente do consórcio, sobre a reivindicação para o período de estiagem.
A Sabesp, responsável pelo abastecimento da Grande SP, tem até o final de abril para apresentar estudos e solicitar a renovação da autorização do Cantareira.
O sistema, que operou ontem (23/3) com 13,3% de sua capacidade e segue em situação crítica, atendia 9 milhões de pessoas na Grande SP antes da crise hídrica. Hoje, porém, essa clientela caiu para 5,6 milhões de pessoas.
A decisão final sobre a nova autorização cabe ao Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica) e à ANA (Agência Nacional de Águas).
"Acreditamos que a Sabesp vai ter como manter o abastecimento em São Paulo e liberar mais água para a gente", disse o vereador Júlio Lopes (PP), presidente do Conselho Fiscal do consórcio. Ele se refere a obras emergenciais iniciadas pelo governo, que poderão trazer algum alívio aos reservatórios.
A Sabesp não quis comentar. Na semana passada, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) disse que as obras emergenciais vão garantir aporte de 6.000 litros por segundo na época de estiagem --com esse volume, diz, seria possível manter o abastecimento nas condições atuais.
Fonte: Folha de São Paulo, por Venceslau Borlina Filho, 24/03/2015

