O mercado elevou pela terceira semana seguida a expectativa para a inflação neste ano e passou a prever um IPCA, índice oficial de preços, mais próximo do teto da meta do governo, de 6,5%.
Economistas e analistas ouvidos pelo Banco Central na pesquisa Focus, feita semanalmente, acreditam que o índice alcançará 6,28% ao final de 2014, ante projeção de 6,11% da semana anterior.
A prévia do IPCA de março divulgada na semana passada mostrou uma aceleração nos preços de alimentos e transportes, após o avanço de itens escolares que pressionaram o resultado de fevereiro.
O índice ficou em 0,73%, bem acima do nível registrado no mesmo período do ano passado (0,49%), e acumulou uma alta de 5,90% em 12 meses.
Só o tomate ficou 28,23% mais caro no mês e a batata-inglesa subiu 14,59%.
O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, reconheceu na semana passada a influência da alta dos alimentos na inflação e reforçou que a entidade continuará a agir para garantir que o choque se restrinja ao curto prazo.
A afirmação parece ter sido interpretada pelo mercado como um sinal de que o aperto na taxa de juros deve se prolongar. Os economistas elevaram a previsão da Selic em 0,25 ponto percentual neste ano, para 11,25%.
No boletim Focus da semana anterior a expectativa era que a taxa básica de juros terminasse 2014 em 11%. Para 2015, a projeção foi mantida em 12% pela quinta semana seguida.
Apesar da deterioração no cenário da economia, a expectativa de crescimento para este ano permaneceu estável em 1,70%.
O resultado deve ter uma leve melhora em 2015, quando deve alcançar 2%, dado que também não sofreu alterações na avaliação dos analistas na última semana.
Fonte: Folha de São Paulo, 24/03/2014

