Em um cenário de pouca chuva e ameaça de racionamento de água, a indústria corre para desenvolver novos produtos que reduzem o consumo sem diminuir o conforto, e que não dependem da boa vontade do usuário. Redutores de vazão podem economizar entre 60% e 70% o gasto de água em torneiras, chuveiros e descargas. Torneiras que abrem e fecham quando as mãos se aproximam e se afastam economizam mais de 30%. A busca por um consumo menor, que se amplia rapidamente entre as empresas grandes consumidoras de água, chega agora às residências.

"Nosso grande foco em 2014 é trazer os conceitos de economia para dentro das casas das pessoas", diz Guilherme Bertani, diretor da Docol Metais Sanitários, uma das pioneiras nesse tipo de solução. Para entrar aos poucos nas casas, a Docol lançou alguns anos atrás a linha residencial flex, que permite o uso manual e o com fechamento automático. Uma pesquisa mostrou que as residências que adotaram essa linha economizam pelo menos 30% de água.

Segundo Bertani, a Docol lança entre 20 e 30 novos produtos a cada ano, dos quais pelo menos cinco voltados para a redução de consumo. "Investimos ao redor de R$ 7 milhões por ano no desenvolvimento de novos produtos. O carro-chefe são as torneiras eletrônicas para uso público. Aquelas com abertura com sensor infravermelho e as torneiras capacitivas, cuja liberação ocorre com a aproximação da mão."

Para 2014 ano a meta é colocar no mercado uma linha completa para banheiro destinada ao público de alta renda, com tecnologia blend flex. A empresa espera vender pelo menos mil peças por mês. Uma torneira chega a custar R$ 700,00. O produto permite que o usuário regule o tempo de abertura que oscila entre quatro e seis segundos. Outro destaque entre os lançamentos é o arejador, que direciona o jato de água ao centro da cuba, evitando respingos.

No mesmo segmento, a japonesa Toto, fabricante mundial de louças e metais sanitários, também investe em "produtos economizadores" - entre eles, a torneira selfpower. Trata-se de uma torneira que obtém energia através do fluxo de água, de forma que o produto não depende de fontes externas, como bateria ou eletricidade. Segundo o fabricante, o funcionamento se dá por meio de sensores eletrônicos que possuem bloqueio de fluxo incorporado, acionado com a aproximação das mãos. "Além de colaborar com o meio ambiente, os produtos economizam recursos financeiros. Nossas torneiras e bacias são um investimento que alia desempenho e uso econômico de recursos naturais além de diminuir também os custos com manutenção", diz David Krakoff, presidente da Toto Brasil.

A Draco Eletrônica Indústria e Comércio implementa dispositivos simuladores de vazão que podem levar a uma economia de 60% a 70% em torneiras, chuveiros e descargas. "O chuveiro, por exemplo, trabalha em média com cinco litros por minuto de água. Com o dispositivo, a pessoa pode permanecer os mesmos 10 minutos no banho e, ao invés de consumir 250 litros no banho, consumirá 120 litros", diz Ricardo Dutra, sócio-diretor da empresa.

As torneiras com sensor Draco têm vazão controlada de 1,8 litros de água por minuto, enquanto as torneiras manuais ou com fechamento automático têm vazão média de 5 a 10 litros de água por minuto. "A redução na vazão de água é maior que 60%", diz Dutra.

Além de economia na vazão, o sensor reduz o tempo de lavagem de mãos em mais de 20%. Sem o contato direto dos usuários, as peças sofrem menor desgaste e precisam de menor manutenção. "As vendas nesse setor têm crescido em média 30% ao ano", diz o sócio diretor.

A Sharewater oferece soluções completas para a conservação da água através de projetos, consultoria e desenvolvimento de tecnologia própria. "Desenvolvemos sistemas de monitoramento de consumo de água por meio de medidores que enviam os dados a um computador", diz Diogo Fonseca Carbonari de Almeida, diretor comercial da Sharewater.

Nos shoppings center, por exemplo, são instalados medidores em diversos pontos que permitem a gestão do uso de água em todo o prédio. Segundo o diretor, o sistema desenvolvido pela Sharewater permite avaliar em tempo real o perfil de consumo do empreendimento e, ao mesmo tempo, detectar com grande rapidez uma variação de consumo, levando à localização quase imediata de vazamentos. "Em média, empreendimentos com esse tipo de sistema podem ter entre 50% e 70% de economia", diz Almeida.

A Sharewater trabalha com grandes consumidores de água, como shoppings, indústrias e hotéis, além de construtoras que buscam valorizar seus empreendimentos, implantando sistemas de reúso e captação da água de chuva. "As construtoras valorizam essa questão pois o cliente final já começa a se preocupar com a sustentabilidade."


Fonte: Valor, por Rosangela Capozoli, 21/03/2014