De olho em um segmento que representa 20% do PIB, os bancos aprimoram os serviços e produtos para captar a conta das micro, pequenas e médias empresas. Todos oferecem operações financeiras diferenciadas e colocam à disposição dos clientes pacotes simplificados e sob medida para o empresário que precisa se dedicar em tempo integral aos negócios, depende cada vez mais de linhas de financiamento e busca ferramentas para aprimorar a gestão de caixa.
No Banco do Brasil, em que 96% dos clientes pessoas jurídicas são micro, pequenas e médias empresas e somam 2,3 milhões de correntistas, o segmento dispõe de um portfólio variado de serviços e assessoria financeira.
O saldo da carteira de crédito chegou a R$ 99,9 bilhões no fim de 2013, um incremento de 12,3% em relação a 2012. Capital de giro, para a formação de estoques e pagamento de compromissos, antecipação de recebíveis, para adiantar os valores das vendas a prazo, e financiamento de investimentos, que viabilizam a reforma ou a ampliação de instalações e a aquisição de máquinas, equipamentos e veículos, são alguns dos produtos.
Em janeiro, o BB reabriu as contratações da linha de crédito para financiar os impostos das micro e pequenas empresas que faturam até R$ 3,6 milhões por ano. A solução atende à demanda de recursos para a quitação dos tributos de início do ano. Um diferencial é o bônus fidelidade, que garante às empresas que pagam as prestações em dia a devolução de cerca de 10% do valor dos juros cobrados. "O BB investe no desenvolvimento de soluções inovadoras e na melhoria do relacionamento para reforçar ainda mais seu posicionamento no segmento", diz Osmar Dias, vice-presidente de agronegócios e micro e pequenas empresas do Banco do Brasil.
"A estratégia para as micro e pequenas empresas é o atendimento ágil, com crédito pré-aprovado e limites disponíveis, para que elas não percam as oportunidades de negócios", afirma Eugênia Regina de Melo, superintendente de estratégia de micro e pequeno empreendedorismo da Caixa Econômica Federal. As PMEs representam 98% dos clientes empresariais da CEF e chegam a 1,7 milhão de correntistas. O banco dedica atenção aos empreendedores individuais, que já somam 3,6 milhões no país e têm à disposição o Microcrédito Produtivo Orientado, com juros de 0,40% ao mês.
A linha financia investimentos fixos e capital de giro. O crédito é concedido com prazo entre 12 e 24 meses, no mínimo de R$ 300 e máximo de R$ 15.000, e as condições dependem de análise da capacidade de pagamento e do destino dos recursos.
São quatro as modalidades: investimento em máquinas e equipamentos, veículos e na estrutura física da empresa, capital de giro, antecipação de recebíveis, e comércio exterior, importação e exportação, em que a Caixa presta serviços de câmbio para remessa ou recebimento de recursos em moeda estrangeira, linhas de crédito para antecipação de contratos de câmbio, além de financiamentos.
O Bradesco, que tem 1,4 milhão de clientes PMEs, oferece linhas de crédito para diversas finalidades. No segundo semestre do ano passado, o banco lançou duas linhas para pequenas e micro de até R$ 100 mil, com prazo de 36 meses, 90 dias de carência para o pagamento da primeira parcela e juros de 1,86% ao mês. A outra linha financia até 70% do bem até R$ 100 mil, com juros de 2,98% ao mês e prazo de 48 meses.
O Bradesco fez parceria com a Associação Brasileira de Franquias para financiar microfranquias com faturamento até R$ 120 mil por ano. A linha cobre até 50% do valor a ser financiado, com limite de R$ 15 mil por cliente, tem prazo de 24 meses, carência de 59 dias e juros de 2,80% ao mês. "Existe um potencial muito grande no Brasil para as PMEs. Então, também temos um potencial muito grande para crescer", diz Altair Antônio de Souza, diretor executivo do Bradesco.
"As PMEs necessitam de ferramentas de recebimento e fluxo de caixa, além de linhas de financiamento, e o Santander tem buscado adaptar a oferta desses produtos ao momento do cliente", afirma Cristiane Nogueira, superintendente executiva de pequenas e médias empresas do Santander. A máquina de cartão de crédito do banco permite ao cliente fazer a antecipação dos recebíveis por cinco canais: na maquininha, no call center, no internet banking, na agência com o gerente ou automaticamente. Além disso, o Santander oferece o Giro Bonificado, uma linha de até 36 meses, em que o cliente que paga todas as parcelas em dia é bonificado em três parcelas e, de acordo com a taxa de juros, até em quatro parcelas.
O volume de crédito destinado ao segmento de pequenas e médias empresas somou R$ 33,7 milhões em dezembro de 2013, com queda de 7,6% em doze meses.
O Itaú-Unibanco, além de linhas de crédito e financiamento, oferece produtos que focam a gestão financeira, do recebimento das vendas aos pagamentos, passando pela projeção de saldos e a necessidades de tomada de recursos. As ferramentas de recebimento permitem um controle aprimorado da entrada de dinheiro. É o caso da cobrança expressa em versão online, em que a empresa entra no portal, preenche um boleto e envia a cobrança ao cliente.
Já o serviço de cobrança ativa eletrônica permite que o cliente informe o banco sobre a cobrança para que a instituição envie avisos ao devedor com instruções sobre o pagamento. O valor do boleto emitido pelo cliente cobrador pode ser antecipado, assim como a venda por meio de cartões de crédito. Outra solução é o gerenciador de vendas de cartões, uma ferramenta que permite, além da tomada de crédito, detalhar o valor original, os descontos e até quem pagou. "A gestão de tempo é crucial para micros e pequenas. Nossa busca é por uma automação cada vez maior para atender essa demanda", diz Ângelo Fernandes, superintende de produtos para empresas do Itaú-Unibanco. A carteira para pequenas e médias empresas cresceu 25% em 2013 na comparação com 2012
O HSBC tem pacotes de produtos de crédito direcionados a empresas com faturamento até R$ 60 milhões por ano, como operações com o BNDES e investimentos. Para as empresas com necessidade de ampliar estoques há linhas de capital de giro. O banco também faz segmentação por setores da economia que exportam e para as que não exportam. Além de linhas de suporte, o banco tem pessoal capacitado a dar orientação a empresas que atuam no comércio exterior. "O Brasil está se abrindo para grandes mercados e isso também é feito cada vez com maior regularidade por pequenas e médias", afirma Marcelo Aleixo, diretor do HSBC Empresas. O banco teve incremento de 34% na carteira do segmento.
Fonte: Valor, por Paulo Vasconcellos, 17/03/2014

