Promissor, crescente, consistente. É assim que os fornecedores de produtos, tecnologias e serviços classificam o mercado de telhados verdes no país. "Apesar de minúsculo, se comparado a países europeus, o mercado brasileiro tem muito potencial porque o futuro exige a mudança da prioridade individualista, estimulada pelo uso de carros, para o pensamento coletivo com mais áreas verdes", observa o botânico Ricardo Cardim.

Na avaliação do Instituto Cidade Jardim, com base nos dados das empresas que atuam na área, instalam-se ao redor de 100 mil m2  de telhado verde por ano no Brasil. "Nem tão pouco comparados aos 200 mil da América do Norte, mas quase nada diante dos 8 milhões de m2  que a Alemanha instalou em 2015", diz o diretor da empresa, Sérgio Rocha. Mas a tendência é que a implantação de telhados verdes continue em ascensão, observa Agatha Carvalho, coordenadora técnica do Green Building Council (GBC) Brasil. "A prática se destaca entre as soluções aplicadas em edifícios certificados e é crescente o número das empresas que atuam no ramo de coberturas vegetais entre os 800 associados do GBC."

Embora possam ser construídas com vários tipos de estrutura e montadas de diferentes maneiras, de forma geral as coberturas verdes usam sistemas modulares que possuem camadas de impermeabilização, drenagem, filtros e membranas de proteção contra raízes, solo e vegetação, explica Ágatha. "As tecnologias aplicadas estão em constante evolução: já observamos aprimoramento do substrato utilizado, de soluções de impermeabilização e redução do peso da estrutura, além da utilização de estruturas mais sustentáveis e sem plástico", afirma.

Skygarden, Ecotelhado e Instituto Cidade Jardim estão entre as empresas que se especializaram na área. Fundada em 2008, a primeira é administrada por Yoshiiti Jorge Yoshi, engenheiro elétrico que teve Cardim como sócio na empresa até 2012. "Nos últimos anos o crescimento tem sido exponencial", diz Yoshi. Com 38 funcionários (22 diretos) e faturamento anual na média de R$ 4 milhões, a empresa sentiu o efeito da crise na área da construção civil - as construtoras são seus principais clientes. A tecnologia da empresa se baseia em um extrato importado do Japão que substitui a terra, o que, segundo Yoshi, promove um enraizamento perfeito e tem maior capacidade de retenção de água no solo.

Os telhados verdes da gaúcha Ecotelhado também não usam terra, nem substrato: a vegetação cresce sobre uma lâmina de água, mantida com a captação da água da chuva. No mercado desde 2005, a empresa de 15 funcionários tem 1 milhão de m2  de telhado verde instalados no Brasil, México, Colômbia, Peru e Uruguai. As soluções verdes que pesquisa e desenvolve para telhados, paredes, pavimentos, esgoto e reúso da água da chuva rendem um faturamento anual de cerca de R$ 6 milhões.

"Trabalhamos dentro da tendência do design biofílico, que cuida da integração entre a vida no interior de um edifício e os fatores externos", explica o diretor e pesquisador da empresa João Manuel Link Feijó. Além do telhado verde, a empresa instalou uma parede verde e também cuidou do paisagismo da Unisinos.

Criado em 2008, o Instituto Cidade Jardim fabrica materiais para telhados verdes, seleciona vegetação e materiais para irrigação, conta com parceiros para fazer a instalação e trabalha fortemente em pesquisa, com parceiros como a Fapesp. Até o fim do ano, a empresa espera começar os testes de aplicação e eficiência de um protótipo inovador, que permite a instalação de um telhado verde em construções que não tenham laje. "Somos um negócio de impacto sócio-ambiental que tem como causa a disseminação de telhados verdes e jardins suspensos em grandes metrópoles", diz Sérgio Rocha.

Mas a demanda não vem só das grandes metrópoles. No fim do ano passado o instituto concluiu um telhado verde de 2.227 m2  na pequena Birigui, no interior de São Paulo, onde os impactos da urbanização já comprometem o bem-estar da população. Com mais de 700 projetos instalados, a empresa tem um faturamento anual entre R$ 1,5 milhão e 2 milhões.

Fonte: Valor - Macroeconomia, por Marlene Jaggi, 15/03/2018