O plano de aviação regional, lançado em dezembro de 2012, terá as primeiras licitações para obras. Até o fim deste mês, o governo deve lançar editais para a reforma e a ampliação de pelo menos três aeroportos. A lista dos primeiros não está totalmente fechada, mas tem boas possibilidades de incluir Barreiras (BA), Maringá (PR) e um aeroporto no interior de São Paulo. Como há questões que fogem ao controle da Secretaria de Aviação Civil, como desapropriações e licenças ambientais, a relação ainda pode mudar.

O ministro da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, não confirma nem desmente quais serão os primeiros aeroportos com obras. Ele diz que a lista será anunciada só quando todos os obstáculos para o lançamento dos editais tiverem sido removidos. "Existem problemas fora da nossa governança. Por isso, eu sou devoto de São Tomé: ver para crer", afirma o ministro.

Sob comando do Banco do Brasil, que assinou convênio com a secretaria para fazer as licitações do programa de investimentos em 270 aeroportos regionais, já foram contratados estudos de viabilidade técnica e econômica projetando a demanda de passageiros até 2025. Também estão sendo feitos anteprojetos que precedem a licitação das obras.

Engenheiros, projetistas e arquitetos já fizeram visitas técnicas a 180 das 270 localidades contempladas no programa. Foram concluídos 53 estudos. A partir do recebimento dos trabalhos, começam a ser formatados os editais das obras, usando o RDC integrado. Por isso, apesar dos atrasos que têm marcado o início das reformas e modernizações de aeroportos regionais, a promessa do governo é aproveitar os estudos recém-concluídos e deslanchar os trabalhos nas próximas semanas. Guilherme Ramalho, secretário-executivo da Secretaria de Aviação Civil, explica que a escolha dos aeroportos contemplados foi feita com base em potencial econômico, potencial turístico e distribuição geográfica.

Hoje, enquanto o Brasil conta com voos regulares para cerca de 120 destinos, a cobertura abrange cerca de 540 aeroportos nos EUA e mais de 600 localidades na Europa. Isso dá uma noção do potencial de crescimento do setor aéreo no país. O ministro Moreira Franco, lembrando que os aeroportos regionais serão "fundamentais" para promover a circulação de mercadorias e alimentar de passageiros os grandes "hubs" nacionais, faz uma boa comparação: "A aviação é hoje o que foram as ferrovias no passado"


Fonte: Valor, por Daniel Rittner , 14/03/2014