Um ano e quatro meses depois de ser vendida ao grupo americano Mohawk Industries, a Eliane Revestimentos Cerâmicos - uma das três maiores fabricantes do segmento no Brasil - está otimista em relação aos mercados interno e externo, neste ano, e projeta crescimento superior ao de 2019. A ceramista estima alta no faturamento bruto de 14%, em 2020, patamar que o presidente, Edson Gaidzinski Jr, considera “bastante agressivo”, ante os 6% do ano passado, quando a empresa faturou R$ 1,09 bilhão.
“Em 2019, esperávamos um mercado de construção melhor, que não veio na velocidade que queríamos. Contamos com isso neste ano”, disse Gaidzinski ao Valor. Segundo o executivo, a Eliane “perdeu um pouco de margem”, no ano passado, devido aos custos elevados de gás natural e mão de obra.
Em busca de mais valor, a Eliane está desligando fornos antigos, com substituição da capacidade e acréscimo de produção. No ano passado, foram investidos R$ 133 milhões, incluindo a linha que teve partida, em Cocal do Sul (SC), no último dia 12. A nova linha possibilita aumento da capacidade instalada em quase 17%, para 36,1 milhões de metros quadrados por ano, e é ligada a um centro de distribuição por um túnel. A ceramista possui cinco fábricas em Santa Catarina e uma na Bahia.
Para 2020, a previsão é investir R$ 50 milhões em tecnologias com menor custo energético, impressoras digitais, uma prensa que proporciona revestimentos de tamanhos maiores e um forno.
No mercado interno, a Eliane aposta no aumento das vendas em decorrência de seus investimentos em produção e da expectativa de melhora da economia. Metade da comercialização é direcionada para o varejo - os produtos da ceramista estão presentes em 15 mil pontos de venda - e metade, para construtoras. Gaidzinski espera que o aumento de lançamentos imobiliários, iniciado há quase um ano e meio, se reflita na comercialização de revestimentos a partir do primeiro trimestre de 2021. No caso de obras de menor porte, o efeito tende a ser sentido já no segundo semestre de 2020.
Com a desvalorização do real, há expectativa de crescimento também das exportações, à medida que os revestimentos cerâmicos brasileiros se tornam mais competitivos internacionalmente. Os embarques participam com fatia de 12% do faturamento, patamar que a Eliane pretende elevar para 20% neste ano. Os principais mercados externos da ceramista são os Estados Unidos, o Canadá, a América Latina e o Oriente Médio.
Em relação aos impactos do coronavírus, o executivo contou que algumas matérias-primas, como abrasivos para polímeros, são importadas da China, mas continuam sendo entregues.
A totalidade da Eliane foi vendida ao Mohawk em outubro de 2018. Até então, a empresa pertencia à família Gaidzinski (75%) e à gestora Kinea (25%). Com a mudança, a ceramista passou a ter governança mais estruturada e a reportar resultados trimestrais para a matriz americana listada na Bolsa de Valores de Nova York (Nyse). Gaidzinski permanecerá como presidente da Eliane por pelo menos mais três anos. A empresa completa 60 anos em 2020.
O setor de revestimentos cerâmicos é liderado pela Portobello. No ranking das três maiores, está também a Duratex, com as marcas Portinari e Ceusa.
Fonte: Valor-Empresas, por Chiara Quintão - São Paulo, 09/03/2020

