O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) vai ser mais disseminado entre as regiões e os Estados brasileiros em 2018. Centro-Oeste, Norte e Sul permanecem na liderança da retomada, mas agora com apoio mais robusto da economia do Sudeste. Todas as 27 unidades da federação devem registrar expansão neste ano, ainda que o desempenho de sete deles possa ser classificado como "fraco".

O cenário faz parte de um estudo do banco Santander sobre as diferenças regionais da recuperação econômica, obtido pelo Valor. A pesquisa mostra que o PIB brasileiro deve crescer 3,2% neste ano, três vezes acima do ano passado (1%). Consumo das famílias (lado da demanda) e indústria e serviços (lado da oferta) devem puxar o PIB pela média nacional, mas com diferentes intensidades pelas "Brasis".

A novidade será o ganho de fôlego do Sudeste, mais sensível ao ciclo econômico. Pelos cálculos do Santander, a região vai crescer 3% em 2018, após avanço modesto no ano passado, quando foi afetado pela retração do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Neste ano, o PIB fluminense deve ficar praticamente estável, desempenho que será mais do que compensando pela aceleração de São Paulo.

"O PIB de São Paulo deve crescer acima de 3%, com desempenho espraiado entre a indústria e o comércio. Muitas cadeias produtivas de São Paulo já estão em trajetória ascendente, com a automobilística, metalúrgica, têxtil e de eletrônicos. O alto grau de diversificação da indústria paulista vai contribuir sobremaneira para a consistência da retomada", disse Rodolfo Morgato, economista do Santander.

O processo de saída da crise continuará sendo liderado - em magnitude de taxa - pelo Centro-Oeste. Apesar das expectativas de menor produção de grãos neste ano, a rentabilidade do agronegócio permanecerá elevada, movimentando a agroindústria e dinamizando o setor de serviços. O PIB do Centro-Oeste deverá crescer 4,2% neste ano, após ter avançado 3,1% no ano anterior, segundo o estudo.

"O reflexo será a queda do desemprego e aumento da massa salarial no Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás. Esses Estados devem ter forte alta do PIB, acima de 3%. O Mato Grosso do Sul, por exemplo, já tem a segunda menor taxa de desemprego do país, atrás apenas de Santa Catarina. Existe uma dinâmica favorável de consumo", disse o economista.

O agronegócio também vai beneficiar a região Sul. O banco projeta crescimento de 3,9% do PIB da região. Além do agronegócio, o Sul deve cresce no embalo de importantes cadeias manufatureiras - eletrodomésticos, veículos e eletrônicos, alimentos e bebidas - e de um mercado de trabalho mais robusto do que a média nacional. Santa Catarina deve ter o maior resultado na região. Paraná e Rio Grande do Sul também devem crescer acima de 3%.

Menos afetada pela crise, a região Norte tende recuperar-se em linha com a média nacional, embora com desempenho heterogêneo entre as unidades da federação. O estudo estima que o Amazonas crescerá em ritmo acelerado puxado pela Zona Franca de Manaus, reflexo da maior fabricação de produtos de informática e eletrônicos. Neste cenário, a produção manufatureira daria um impulso adicional às atividades locais de serviço e comércio.

Também na região Norte, as economias de Amapá e Roraima seguem afetadas por um mercado de trabalho deteriorado. Os dois Estados estão classificados com "baixo crescimento" na pesquisa, o que significa desempenho entre estabilidade e alta de 1,5%. Segundo o Santander, Roraima sofre adicionalmente por uma "crise humanitária dos imigrantes venezuelanos". Estima-se que 40 mil venezuelanos cruzaram a fronteira.

Depois de anos de crescimento acima da média nacional, o Nordeste deve ficar com a lanterna da retomada. Segundo o Santander, o PIB nordestino vai crescer 2,5% neste ano. Apesar de um impulso positivo na produção de grãos no Matopiba (Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia), os Estados da Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe crescerão a "taxas mínimas", reflexo do emprego deprimido.

Um estudo divulgado ontem pelo Bradesco chegou a conclusão semelhantes sobre o "espraiamento" da retomada entre regiões. Para o banco, o PIB brasileiro deve crescer 2,8% neste ano. O Bradesco estima, no entanto, que a região Norte terá a maior taxa de crescimento, de 4,6%, seguida pela região Centro-Oeste. O banco estimou aceleração do PIB do Sudeste para 2%, após queda de 0,1% em 2017.

Fonte: Valor - Macroeconomia, por Bruno Villas Bôas, 08/03/2018