Sem auxílio emergencial e com emprego ainda fraco, o Índice de Confiança Empresarial (ICE) entre janeiro e fevereiro caiu 1,8 ponto para 91,1 pontos, informou ontem a Fundação Getulio Vargas (FGV). Além de ser a quinta queda consecutiva do indicador, o recuo levou o índice ao menor patamar desde julho do ano passado (87,4 pontos).

Para o superintendente de estatísticas do Instituto Brasileiro de Economia da FGV (FGV/Ibre), Aloisio Campelo, uma reversão na atual trajetória negativa da confiança empresarial depende de vacinação contra covid-19 mais ágil e abrangente. Sem isso, não há, segundo ele, como impulsionar de forma favorável a atividade de serviços, o setor mais prejudicado da economia pela pandemia.

Ao falar sobre o recuo do ICE em fevereiro, o técnico lembrou o atual cenário atual no país: sem auxilio emergencial - benefício encerrado em dezembro do ano passado - e ausência de reação em mercado de trabalho.

Esse cenário parece ter afetado o humor de praticamente todos principais segmentos da economia. Nos quatro componentes do ICE, três apresentaram recuo na confiança entre janeiro e fevereiro: indústria, serviços e construção. Comércio não teve recuo de ICE, mas ficou com variação de confiança praticamente estável, próximo a zero, notou Campelo. Até mesmo a indústria, que mostrava bom desempenho desde meados de 2020, agora começa a diminuir o nível de confiança.

“Mas o que me preocupa são os serviços”, afirmou Campelo. Ele lembrou que esse setor é o motor do PIB brasileiro, respondendo por mais de 70% da economia. Segundo o especialista, apesar do perfil heterogêneo do segmento, a maioria dos tipos de serviço depende de algum tipo de circulação social, fortemente afetada pela pandemia.

Para o técnico, uma intensificação da vacinação poderia conduzir ao início de retomada na economia de serviços. Isso poderia gerar abertura de vagas em ritmo melhor do que o atual, bem como acelerar encomendas à indústria.


Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Alessandra Saraiva — Do Rio, 02/03/2021