A Caixa começa a oferecer na próxima semana uma linha de crédito imobiliário atrelada à poupança. Num ambiente de Selic baixa, a modalidade tende a ser mais barata para o mutuário que o financiamento convencional corrigido pela taxa referencial (TR). Para o banco, as vantagens esperadas são ampliar as concessões e equalizar funding e remuneração.
A instituição reservou R$ 30 bilhões iniciais para a linha, e a expectativa do presidente da Caixa, Pedro Guimarães, é que os recursos sejam consumidos em poucos meses. “O preço [dos imóveis] ainda não subiu e as taxas nunca estiveram tão baixas. É um momento único”, disse ao Valor.
A Caixa vai cobrar 3,35% a 3,99% ao ano mais TR (hoje, zerada) mais a correção da poupança. Com isso, a taxa para o tomador ficará entre 4,75% e 5,39% ao ano, dependendo do perfil e do relacionamento com o banco. A linha convencional sai a partir de TR mais 6,25% ao ano.
Simulação feita pelo banco indica que a modalidade corrigida pela poupança é vantajosa com a Selic até cerca de 4,5% ao ano - acima do patamar atual de 2% anuais.
Com o produto, a Caixa segue o Itaú Unibanco e o Inter, que lançaram o financiamento atrelado à poupança no ano passado.
Segundo Guimarães, o banco tem apetite e espaço para crescer, já que tem R$ 400 bilhões captados na poupança, e as operações apoiadas nesse funding são metade disso. O executivo disse que a carteira habitacional da Caixa deve aumentar pelo menos 15% em 2021, após ter avançado 28,8% no ano passado, quando chegou a R$ 509 bilhões. Dois terços do correspondem a crédito com funding do FGTS para moradia popular.
Para Guimarães, as contratações de crédito imobiliário devem ultrapassar R$ 120 bilhões neste ano depois de terem alcançado R$ 116 bilhões em 2020. Em janeiro, a originação cresceu 50%. “Queremos manter a participação no mercado [com recursos da poupança] acima de 40%”, disse.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Fernanda Bompan e Talita Moreira — De São Paulo, 26/02/2021

