A confiança da indústria deve continuar a operar em baixa no começo do ano, tendo em vista a perspectiva de demanda interna menor, sem auxílio emergencial, com mercado de trabalho ainda fraco. A observação partiu da economista Viviane Seda, da Fundação Getulio Vargas (FGV), ao comentar ontem a prévia de fevereiro da Sondagem da Indústria da Transformação.

Na prévia, o Índice de Confiança da Indústria (ICI) da FGV, indicador-síntese da sondagem, caiu 3,1 pontos em resultado preliminar, o que levou o ICI a 108,2 pontos. Caso confirmado o recuo, o índice vai para o menor patamar desde setembro do ano passado (106,7 pontos).

A especialista detalhou que, no começo do ano, há uma perspectiva de menor atividade econômica, com provável recuo no consumo interno. Isso porque o pagamento de benefício de auxílio emergencial, pago pelo governo desde meados do ano passado para sustentar parte da demanda interna em meio à pandemia, foi finalizado em dezembro.

Ao mesmo tempo, não há sinais de retomada robusta no emprego, acrescentou a economista. “Podemos ver que, nessa prévia, o que derrubou o indicador de confiança foi a piora na expectativa de produção prevista.”

Isso é perceptível na evolução dos resultados preliminares dos dois sub-indicadores componentes do ICI. Enquanto o Índice de Situação Atual (ISA) caiu 0,9 ponto na prévia de fevereiro, para 115,4 pontos, o Índice de Expectativas (IE) recuou de forma mais intensa, com retração de 5,3 pontos, para 101,0 pontos.

Viviane comentou que, de maneira geral, a indústria foi setor menos afetado pela pandemia. No entanto, o bom humor do empresariado do setor industrial não parece prosseguir no começo de 2021, segundo ela.

Assim, na prévia do ICI de fevereiro, há indicação de queda de confiança nas quatro grandes categorias de uso. Sem citar percentuais, visto ser uma prévia, Viviane detalhou que foram observadas quedas de confiança, ante janeiro, em bens de consumo duráveis, bens de consumo não duráveis, bens intermediários e bens de capital. “As piores quedas ocorreram em duráveis, não duráveis e intermediários.”

 

Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Alessandra Saraiva — Do Rio, 23/02/2021