A Funcef planeja reduzir sua carteira imobiliária nos próximos cinco anos, de 148 para 43 ativos. A carteira atual da fundação dos funcionários da Caixa está avaliada em cerca de R$ 5 bilhões. “O objetivo é nos concentrarmos em imóveis com valores médios mais altos. Temos muitos ativos pequenos e que têm expectativa de retorno menor”, disse ao Valor o presidente da Funcef, Renato Villela
Na carteira da entidade há imóveis como o Hotel Renaissance e participação no Morumbi Shopping, ambos em São Paulo. “Vamos trabalhar com parceiros privados em termos de reestruturação. Muito provavelmente vamos transformar alguns destes [ativos] em fundos imobiliários”, afirmou o presidente da entidade.
O mercado como um todo tem expectativa sobre alteração na resolução 4.661, que regula os investimentos dos fundos de pensão. Em 2018, a regra passou a determinar que as entidades fechadas de previdência não poderiam investir diretamente em imóveis. E teriam 12 anos para se desfazer dos ativos em carteira ou transformá-los em fundos imobiliários exclusivos. Há uma demanda para uma mudança que permita manter os imóveis que as fundações possuem em seus portfólios. Os custos com impostos para a transformação em fundos são um dos principais pontos de questionamento.
“Temos que ver como vão ficar as discussões, se conseguiremos diluir custos. Entendemos que é uma classe de ativos interessante, o problema dela é que não tem tanta liquidez. Por outro lado, em circunstâncias favoráveis, gera fluxo de renda estável. Com as idas e vindas da economia brasileira, acaba sendo muito errático”, disse.
Villela se mostrou favorável à ideia dos reguladores de privilegiar fundos imobiliários na gestão de imóveis. “Há um custo associado à administração direta dos ativos. É necessário contratar um número grande de pessoas, tem custos de deslocamento sensíveis.” Por outro lado, a atual liquidez dos fundos imobiliários ainda é baixa para fundos de pensão de grande porte como a Funcef, que tem quase R$ 70 bilhões sob gestão.
A crise gerada pela pandemia não teve tanto impacto na carteira de imóveis quanto se imaginava inicialmente, segundo o presidente da Funcef. Os casos de inquilinos com problemas foram residuais, segundo ele. “O número da inadimplência não foi terrível, mas a precificação caiu”, afirmou. Já inquilinos de galpões logísticos ou empresas de grande porte mantiveram contratos. Daqui para frente, novas tendências vão se definir no mercado imobiliário, e será preciso refletir se certo ativo será um bom investimento nos próximos anos, avalia.
Considerando a carteira da Funcef como um todo, ainda não há dados fechados de 2020, mas o resultado até novembro da fundação mostra rentabilidade de 10,18% no período, em linha com a meta atuarial. “Como em dezembro não houve queda em nenhum indicador relevante, podemos dizer com certeza que batemos a meta atuarial em 2020 em todos os planos”, afirmou.
A crise levou a Funcef a revisar sua política de investimentos ao longo do ano passado. “Quando as coisas começaram a entrar nos eixos, vimos que estávamos deixando de ter rentabilidade. Voltamos um pouco para bolsa”, disse.
Com a melhora dos mercados, alguns setores da economia tiveram crescimento, caso de galpões logísticos, que foram impulsionados pelo avanço do comércio eletrônico. A Funcef também teve resultados positivos de investidas no setor de saúde, como o fundo de investimentos em participações (FIP) BBI Financial.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Juliana Schincariol — Do Rio, 19/02/2021

