O encontro de duas frentes de trabalho na escavação do túnel 202 no canteiro de obras do Jardim Peri, em São Paulo, marca o avanço do Rodoanel no seu trecho final, o Norte. Agora, a extensão de 701 metros do túnel (na verdade, dois túneis – um em cada sentido) ganhou formas definitivas.
Esse é um dos sete túneis duplos, que somarão 6,1 quilômetros em cada sentido no trecho Norte. Haverá também 114 obras de acesso (pontes e viadutos), totalizando 12,68 quilômetros. O investimento é de R$ 6,95 bilhões: R$ 2,8 bilhões do Tesouro Paulista, R$ 2,1 bilhões de financiamento do Estado no Banco Interamericano de Desenvol vimento (BID) e R$ 2,05 bilhões de convênio com o Governo Federal.
Iniciada em 2013, a obra será entregue no segundo semestre de 2017, quando o anel viário ficará pronto em volta da capital. O novo trecho terá 44 quilômetros ligando a Rodovia Presidente Dutra ao trecho Leste, na Avenida Raimundo Pereira de Magalhães, em Perus.
Última a ser construída, a parte Norte terá acesso à Rodovia Fernão Dias e ligação de 3,6 quilômetros ao Aeroporto de Guarulhos. Completo, o Rodoanel terá 176 quilômetros interligando dez rodovias que deixam a capital rumo ao interior, litoral e outros Estados. O Rodoanel é uma rodovia considerada classe zero por ser expressa, sem cruzamentos nem semáforos, feita para que o trânsito flua melhor e com segurança.
Os
acessos são controlados e, em geral, localizados apenas nas interligações com outras rodovias. O tráfego de passagem na capital será distribuído e realocado no entorno da Região Metropolitana de São Paulo, melhorando o fluxo nas marginais. Estima-se que o Rodoanel Norte irá retirar 18,3 mil caminhões por dia das marginais. Trechos prontos – Os três trechos do Rodoanel Mario Covas em funcionamento (Oeste, Sul e Leste) interligam nove rodovias que saem da capital: Bandeirantes, Anhanguera, Castelo Branco, Raposo Tavares, Régis Bitencourt (Oeste); Imigrantes e Anchieta (Sul); Ayrton Senna e Dutra (Leste).
A única delas sem ligação ao anel viário é a Fernão Dias, mas por enquanto, porque o Norte está em construção. Atualmente, são duas empresas concessionárias que administram as três partes prontas. O trecho Oeste está a cargo da CCR Rodoanel e a dupla Sul/Leste, pela SPMAR.
Antes de entrar no Rodoanel, é aconselhável que o motorista verifique o volume de combustível, porque não existem postos de abastecimento. Há apenas postos de Serviço de Atendimento ao Usuário (SAU), onde os motoristas dispõem de fraldário e sanitários. Um deles está no trecho Oeste, dois no Sul e dois no Leste.
A pista que fica do lado da capital (por dentro) é chamada interna e, a outra (por fora), externa, nomenclatura utilizada para diferenciá-las, pois será uma rodovia circular, e não retilínea como as demais. A interna segue no sentido Sul/Norte e, a externa, o contrário.
Cinco de uma vez – O trecho Oeste foi o primeiro a ser concluído, em 2002, e interliga cinco rodovias: Bandeirantes, Anhanguera, Castelo, Raposo e Régis. Suas pistas são pavimentadas de concreto, em vez de asfalto, onde circulam cerca de 240 mil veículos por dia, em ambos os sentidos, em 32 quilômetros de extensão, com três túneis duplos, sete trevos e 62 viadutos.
A CCR Rodoanel cuida deste trajeto desde 2008, por um prazo de concessão de 30 anos. O trecho oferece acesso aos municípios de Osasco e Carapicuíba, por meio do Trevo da Padroeira, por volta do quilômetro 18, além da saída para a Avenida Raimundo Pereira de Magalhães.
O Oeste dispõe de Sistema de Detecção de Ocorrências em seus túneis e câmeras ao longo da rodovia, os quais informam ao Centro de Controle Operacional (CCO) da concessionária qualquer ocorrência anormal – acidentes, pedestres ou carros parados na via. A CCR tem frota de 15 veículos, entre guinchos leves e pesados, ambulâncias, motorresgate e equipe de cerca de 430 pessoas. A caminho do Porto – O lado Sul, entregue em 2010, tem início na Régis Bittencourt, em Embu das Artes, e termina próximo de Mauá, passando pelas rodovias Imigrantes e Anchieta. O trajeto administrado pela SPMAR tem 57 quilômetros e mais 4,4 quilômetros de interligação com a Avenida Papa João XXIII, em Mauá, somando 61,4 quilômetros.
A circulação média no Sul é de 44 mil veículos por dia, entre Régis e Imigrantes. Uma das maiores vantagens que o trajeto trouxe à economia nacional foi o acesso mais simples e direto do Brasil Central ao Porto de Santos. Até Arujá – O trecho Leste, com 43,8 quilômetros, liga o Sul, desde a Avenida Papa João XXIII à Rodovia Presidente Dutra, em Arujá, interligando também a Ayrton Senna. Passa ainda pelos municípios de Itaquaquecetuba, Mauá, Poá, Ribeirão Pires e Suzano. Em Arujá, onde termina, será “colado” ao trecho Norte, em construção. A SPMAR possui frota de 25 veículos para inspeção, guinchos, ambulâncias, caminhão para incêndio e para animais.
Fonte: APeMEC, 19/02/2016

