Iniciativas patrocinadas por associações de empresas estão conseguindo ampliar a capacidade de reciclagem de latas de aço, aparelhos eletroeletrônicos, pilhas e plásticos. A maioria avançou no número de pontos de coleta e de fabricantes que participam das ações. Em 2020, ganharam parceiros importantes, como grandes construtoras e varejistas que cedem espaços para o recebimento de material descartado.

A Prolata, associação sem fins lucrativos criada em 2012 pela Associação Brasileira de Embalagem de Aço (Abeaço), reciclou 22 mil toneladas de latas de aço em 2020, um aumento de 179% ante 2019. A expectativa é alcançar 50 mil toneladas recicladas até o fim de 2021, segundo Thais Fagury, presidente da Abeaço e diretora da Prolata.

A cobertura do programa avançou nos últimos cinco anos. Em 2015, contava com 52 cooperativas, um entreposto e um ponto de entrega voluntária (PEV). Hoje, são 53 cooperativas, 20 entrepostos e 28 PEVs em 12 Estados e no Distrito Federal. Até dezembro de 2022, o plano é adicionar mais três cooperativas, chegar a 50 PEVs e duplicar o número de entrepostos, que consolidam e encaminham o material para siderúrgicas parceiras.

Em 2020, um dos focos foi aumentar a atuação em canteiros de obras. A quantidade de construtoras conveniadas passou de três, em 2019, para 13, com 58 obras cadastradas. No total, o Prolata investiu cerca de R$ 4 milhões nas operações, valor bancado por fornecedores de latas e tintas, indústrias de alimentos e siderúrgicas.

Nos próximos meses, a ideia é envolver mais cadeias de varejo para alavancar a rede de pontos de recebimento e entrega voluntária, diz Thais. “O consumidor deve entender que é responsável para que os sistemas de logística reversa avancem, descartando os materiais adequadamente.”

Na Green Eletron, gestora sem fins lucrativos para a logística reversa de eletroeletrônicos e pilhas, fundada em 2016 pela Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee), o total de associadas passou de onze, em 2016, para 90 empresas cadastradas em programas de descarte e reciclagem. Incluem fabricantes, importadoras e distribuidoras. “Gerenciamos a logística reversa das associadas, desde a coleta até o envio do material para as recicladoras, responsáveis por transformar os itens em matéria-prima para a fabricação de novos produtos”, diz Humberto Barbato, presidente da Abinee e da Green Eletron.

O sistema de captação conta com parceiros que cedem espaço para a instalação de coletores, como Casas Bahia e Drogasil. A expectativa é que o número de parcerias aumente a partir deste ano, com a entrada em vigor do Acordo Setorial para a Logística Reversa de Eletroeletrônicos e Acessórios.

Com a medida, toda a cadeia de eletroeletrônicos precisa implementar um sistema de logística reversa de produtos usados pelo consumidor. O não cumprimento do acordo pode levar à suspensão de licenças de funcionamento ou aplicação de multas de até R$ 50 milhões. As regras estão em vigor desde o dia 1º de janeiro.

Em 2021, a meta do acordo é coletar e reciclar 1% de tudo o que a indústria produziu em 2018. A taxa sobe para 17% até 2025, ano em que todos os 400 municípios brasileiros com mais de 80 mil habitantes deverão ter PEVs cobrindo 65% da população.

Em 2019, a Green Eletron coletou cerca de 350 toneladas de eletroeletrônicos e 183 toneladas de pilhas. Em 2020, o volume captado encolheu por conta do fechamento de estabelecimentos com coletores. “Reciclamos aproximadamente 80 toneladas de eletroeletrônicos e 83,4 toneladas de pilhas.” A gestora tem 600 coletores em 13 Estados e no Distrito Federal.

Os fabricantes de plásticos também não estão parados. Organizado em 2016, o Movimento Plástico Transforma (MPT) é uma iniciativa do Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), parceria da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast) e a Braskem, maior produtora de resinas termoplásticas das Américas. O objetivo é multiplicar ações de conscientização sobre o uso responsável do material e apoiar iniciativas de economia circular.

De acordo com estudo da consultoria MaxiQuim e do PICPlast, a reciclagem de plásticos chegou a 24% do volume gerado de resíduo pós-consumo, em 2019. O volume reciclado foi de 838 mil toneladas, um avanço de 10% em relação a 2018, afirmam o vice-presidente de olefinas para a América do Sul da Braskem, Edison Terra, e o presidente da Abiplast, José Ricardo Roriz Coelho, representantes do comitê gestor do MPT.

 

Fonte: Valor Econômico - Suplementos, por Jacilio Saraiva — Para o Valor, de São Paulo, 18/02/2021