As concessionárias dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos estão prestes a remover um importante obstáculo para o desenvolvimento de seus negócios. O governo aceitou dar garantias às operadoras de que elas poderão assinar contratos de exploração comercial e imobiliária que ultrapassem o atual período de vigência de suas concessões.
Para isso, uma emenda deve ser incorporada na MP 752, medida provisória assinada pelo presidente Michel Temer em novembro e que ainda está em tramitação no Congresso Nacional. A mudança atende aos três aeroportos privatizados em 2012, na primeira rodada de concessões do setor, mas é especialmente interessante para Guarulhos.
Hoje as operadoras só têm permissão para assinar contratos comerciais e imobiliários até o ano em que deixam de administrar os terminais. Isso dificulta a atração de empreendimentos como hotéis, shopping centers, torres de escritórios no entorno dos aeroportos áreas que fazem parte da concessão porque muitos projetos precisam de mais tempo para obter retorno do capital investido. O mesmo vale, por exemplo, para lojas duty free dentro dos terminais ou para hangares.
Ao leiloar o Galeão (RJ) e Confins (MG), no fim de 2013, o governo da expresidente Dilma Rousseff já havia reconhecido esse problema e incluiu novas regras na segunda rodada de concessões. A Rio Galeão e a BH Airport já estão autorizadas a firmar contratos que extrapolam o período da concessão. O dinheiro fica para a União quando o aeroporto retornar ao poder concedente, mas as operadoras privadas se beneficiam com a possibilidade de negociar contratos mais longos com seus parceiros nas áreas comercial e imobiliária.
Os três primeiros aeroportos foram concedidos por 20 a 30 anos. Guarulhos tem o menor prazo e sua concessão vale até 2032. À medida que o tempo passa, novos contratos ficam mais difíceis de celebrar porque esses investidores não têm segurança jurídica sobre seus empreendimentos
quando a titularidade dos aeroportos voltar para o governo.
Uma emenda à MP 752 apresentada pelo deputado Luiz Lauro Filho (PSBSP) trata exatamente do assunto. "Quando se demonstrar necessária à viabilidade econômica do objeto dos contratos acessórios, poderá ser autorizada a exploração de projetos associados ou empreendimentos acessórios por prazo superior à vigência [da concessão dos aeroportos]", afirma o texto.
O governo não sabe se aproveitará exatamente a emenda sugerida pelo deputado ou se vai propor outra redação ao relator da medida provisória, Sérgio Souza (PMDBPR), mas concorda com esse conceito e deve dar sinal verde à mudança. A ideia é que a alteração legal dê mais conforto à Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) para adaptar os contratos de concessão dos aeroportos de Guarulhos, Brasília e Viracopos.
"A adaptação não é positiva apenas para as concessionárias e para viabilizar novos investimentos, mas também para a União, que vai receber por essas áreas quando o contrato de concessão terminar", diz Daniel Ketchibachian, presidente da Inframérica, que administra o aeroporto Juscelino Jubitschek (DF).
Segundo ele, o período que ainda resta da concessão só acaba em 2037 ainda é suficiente para atrair a maioria dos projetos de exploração comercial e imobiliária. "Mas, em um momento de retração econômica, a possibilidade de firmar contratos com prazo ainda maior sem dúvida ajuda nessa conta." A Inframérica apresentou no ano passado um projeto para transformar o entorno do terminal em uma cidade aeroportuária. Previa investimentos de R$ 3,5 bilhões em um complexo que abrangia cinco hotéis, novo terminal de passageiros, prédios com escritórios, edifício garagem, storage, parque aquático, cinemas, outlet, arena multiuso, hospital e até uma universidade.
Com o agravamento da crise e a dificuldade em obter financiamento, o projeto não deslanchou e as obras não começaram, mas Ketchibachian reafirma os planos de leválo adiante.
Fonte: Valor - Empresas, por Daniel Rittner , 13/02/2017

