Os CEOs deveriam fortalecer sua presença e comunicação nas redes sociais para aumentar o engajamento com funcionários, a atração de talentos e a interlocução com as demandas da sociedade.

A avaliação é de Craig Mullaney, sócio do escritório da consultoria de comunicação corporativa Brunswick em Washington (EUA) e criador da plataforma Connected Leadership. “Se no passado falar além dos temas financeiros poderia significar um risco para a reputação do negócio, agora é um risco permanecer em silêncio - principalmente em relação à diversidade e às questões sociais”, disse ao Valor.

A sua reflexão é ancorada em uma nova pesquisa realizada pela Brunswick em 13 países, incluindo o Brasil, com 5,2 mil leitores de veículos de finanças e economia e 6,5 mil funcionários. Na pesquisa, 63% dos funcionários disseram preferir trabalhar para um “líder conectado”, ou seja, que utiliza as redes sociais para o trabalho; 86% dos funcionários e 93% dos leitores esperam ver posicionamentos dos CEOs nas redes sociais sobre ações de sua empresa durante uma crise.

Mais de 60% dos funcionários entrevistados confiam mais em um “líder conectado”. A pesquisa mostra, aliás, que a segunda fonte mais buscada pelos leitores para informações de uma empresa é a página do LinkedIn do CEO - perdendo apenas para o site oficial da companhia. Em terceiro lugar, aparece o Google e, em quarto e quinto, estão as páginas do CEO no Facebook e Twitter, respectivamente.

“A demanda por líderes conectados vem crescendo ao longo dos últimos anos, mas a pandemia acelerou essa tendência”, diz Mullaney. O maior tempo de exposição das pessoas às redes sociais, inclusive para o trabalho, e do uso de ferramentas corporativas para comunicar e colaborar, diante do fechamento dos escritórios, contribuíram para essa expectativa das pessoas, avalia.

No Brasil, onde foram entrevistados 600 funcionários e 400 leitores, 84% dos funcionários e 89% dos leitores confiam mais em CEOs que utilizam mídias sociais - até 23 pontos a mais do que seus colegas globais.

E nove em cada dez funcionários preferem trabalhar para líderes que utilizam ferramentas digitais porque, segundo o relatório da pesquisa, acreditam que CEOs conectados são mais acessíveis, transparentes, fáceis de se comunicarem e capazes de manter as equipes conectadas. Quase a totalidade dos brasileiros entrevistados (98%), entre leitores e funcionários, dizem que é importante que os CEOs respondam a uma crise por meio das mídias sociais.

Na visão de Mullaney, qualquer executivo pode se tornar um líder conectado. O primeiro passo é definir seus objetivos, quem você deseja alcançar e quanto do seu tempo pode ser dedicado. A partir de então, você pode determinar qual a melhor plataforma e desenvolver uma estratégia para o sucesso.

A chave para uma comunicação eficaz no meio digital, avalia o executivo, é autenticidade. “Os melhores líderes conectados são transparentes, diretos e autênticos. Eles adotam fontes digitais para se aproximar dos colaboradores e se engajam diretamente com os stakeholders sobre questões que vão além das divulgações de resultados. Eles pensam em suas plataformas como comunidades e participam com consistência”, afirma.

Quase 90% de todos os funcionários entrevistados esperam que os CEOs comuniquem nas redes sociais a resposta da empresa à covid-19, 82% sobre iniciativas de diversidade e inclusão e 72% que se posicionem sobre questões sociais.


Fonte: Valor Econômico - Carreira, por Barbara Bigarelli — De São Paulo, 11/02/2021