O Ibovespa continua sendo negociado acima de seus múltiplos médios históricos, mas tem espaço para ir bem mais longe. O índice deve chegar a 135 mil pontos neste ano, patamar 12,8% acima do fechamento de ontem, segundo a equipe de estratégia do Itaú BBA.
Atualmente, o Ibovespa tem um desconto de 25% em seus múltiplos na comparação com outros índices de bolsas de emergentes. Além do cenário de “pechincha”, a valorização estimada deve vir na esteira da continuidade da entrada de estrangeiros na bolsa brasileira e da forte migração dos investidores locais da renda fixa para ações em um cenário de baixa taxa de juros.
“Ao longo de 2020 tivemos a entrada de muitas pessoas físicas na bolsa e acreditamos que esse movimento continua pelo cenário de juros baixos”, afirma Marcelo Sá, que assumiu a vaga de estrategista-chefe do Itaú BBA em meados de dezembro, no lugar de Marcos Assumpção.
Jorge Gabrich, estrategista do Itaú BBA, acrescenta que o real excessivamente desvalorizado também contribui para o “desconto” existente no Ibovespa hoje. Assim, a estimativa do banco de que o dólar saia do patamar atual de R$ 5,37 para R$ 4,75 no fim de 2021 também ajuda na perspectiva de valorização do Ibovespa.
“Existe uma probabilidade de 75% de o Ibovespa estar valendo mais do que o nível em que está hoje em dia. E estamos vindo com uma projeção conservadora”, afirma Gabrich.
Para Sá, o Banco Central (BC) deve começar a subir a Selic, a taxa básica de juros, em março e sair dos atuais 2% ao ano para 3,5% até o fim de 2021. “Se o Brasil continuar a respeitar o teto de gastos, temos todas as condições para manter a taxa de juros baixa.”
No caminho para os 135 mil pontos do Ibovespa, o estrategista e sua equipe têm seus setores favoritos que devem guiar o índices rumo à valorização. O otimismo está reservado para ações dos setores de commodities, construtoras residenciais e serviços públicos, enquanto a percepção é negativa para o varejo físico, alimentos e bebidas e rodovias com pedágio.
As ações favoritas, e que compõem a lista recomendada para compra do Itaú BBA, para o curto prazo (1º semestre) são Vale, Suzano, Bradesco, BTG Pactual, B3, Cyrela, Magazine Luiza, Equatorial, Engie e Hapvida.
“Para o segundo semestre, se a situação da pandemia melhorar, faz sentido incluir ações ligadas a lojas físicas. Vai depender de como a economia vai performar no primeiro semestre”, diz Sá.
O cenário esperado pelo time de estrategistas inclui o encaminhamento de reformas estruturais, como a administrativa e a tributária, além da PEC Emergencial, que define gatilhos que permitem ao governo federal cortar despesas obrigatórias em situações específicas, como a pandemia.
Sá reconhece que passar as grandes reformas pelo Congresso é mais difícil, mas ele vê potencial em projetos menores, mas que podem trazer benefícios para as empresas listadas na bolsa, como a privatização da Eletrobras, a autonomia do Banco Central e a reforma do setor elétrico, por exemplo. “Estamos mais cautelosos. Vejo no curto prazo uma chance grande de aprovar as microreformas” diz.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Weruska Goeking — De São Paulo, 09/02/2021

