A Duratex teve, em 2020, o melhor ano de sua história. Apesar das oscilações resultantes da pandemia de covid-19, a companhia registrou recordes de receita líquida, Ebitda ajustado e recorrente, e geração de caixa operacional. O lucro líquido ficou atrás apenas do obtido em 2013. Para este ano, a expectativa da companhia é crescer novamente - em receita, volumes e resultado. É o que garante o presidente, Antonio Joaquim de Oliveira. “Continuamos otimistas com o mercado”, diz o executivo.
Na avaliação de Oliveira, os setores de construção civil e decoração devem viver ciclo positivo nos próximos anos, desde que não haja “grandes variações macroeconômicas”. O otimismo se justifica, segundo ele, pelas perspectivas de manutenção dos juros baixos, da facilidade de crédito ao consumidor, da demanda de materiais de construção para os lançamentos imobiliários já realizados e para as obras iniciadas, além da tendência de valorização da casa.
O fim do auxílio-emergencial não tende a afetar, diretamente, as vendas da Duratex, no entendimento do executivo, pois os produtos da empresa se direcionam, principalmente, às classes média e alta. Por outro lado, pondera Oliveira, há preocupações relativas ao desemprego elevado, principalmente no médio prazo, e com a inflação.
Sobre o processo de vacinação contra a covid-19, o presidente da Duratex avalia que “o governo tende a trabalhar um pouco mais, nesse sentido, considerando-se as eleições majoritárias de 2022”. Segundo Oliveira, a Duratex não acredita no modelo de compra de vacinas pela iniciativa privada para doação de parte ao governo e distribuição de outra parcela a seus colaboradores. “Se participarmos da compra da vacina será em caso de totalidade para doação”, diz o executivo.
No ano passado, o lucro líquido da companhia cresceu 11,9%, para R$ 453,9 milhões. A receita líquida consolidada teve expansão de 17,3%, alcançando R$ 5,88 bilhões. A margem bruta aumentou de 25,8% para 31,5%. O Ebtida (lucro antes de juros, impostos, depreciações e amortizações) da empresa caiu 4,9%, para R$ 1,29 bilhão. A Duratex informou Ebitda ajustado e recorrente de R$ 1,29 bilhão, com alta de 41,7%.
“Tivemos um ano atípico por causa da pandemia. Vivemos um período extremamente crítico de março a junho. A partir daí, vivemos uma crescente e tivemos o melhor ano da história da Duratex”, conta Oliveira.
A companhia teve fluxo de caixa livre de R$ 1,13 bilhão, patamar resultante do forte volume de vendas e da melhora do ciclo de conversão de caixa, com redução do prazo médio de 60 para 11 dias devido à diminuição dos estoques de produtos e dos prazos de recebimento. Há previsão de que, neste ano, o prazo de conversão de caixa seja de 15 a 20 dias.
No ano passado, a Duratex sentiu forte pressão de custos de matérias-primas, mitigada com aumentos de preços de seus produtos. Na divisão Madeira, a companhia reajustou os preços de 10% a 20%, conforme linha de produtos; na Deca, em 6% e, na divisão de Revestimentos Cerâmicos, em 2%, segundo informou. Devido à alta dos custos de energia, gás natural, metais e embalagens, foram feitos novos ajustes, em 1º de janeiro deste ano. A Duratex aumentou os preços de painéis de madeira em 15%, da Deca, em 10% e, de revestimentos, em 6%.
No quarto trimestre, o lucro líquido da empresa cresceu 5,9%, na comparação anual, para o recorde de R$ 301,6 milhões. A receita líquida subiu 27,4%, para R$ 1,89 bilhão - maior valor histórico. A margem bruta saltou de 21,2% para 32,6%. O Ebtida caiu 18,2%, para R$ 487,9 milhões. Já o Ebitda ajustado e recorrente teve incremento de 85,4%, para o recorde de R$ 516,2 milhões.
A Duratex encerrou 2020 com alavancagem de 1,15 vez, medida por dívida líquida sobre Ebtida dos últimos 12 meses. Segundo Oliveira, o patamar ideal seria de 2,5 vezes a 3 vezes. “Temos potencial para nos alavancar, facilmente, caso tenhamos oportunidades de crescimento inorgânico”, diz. A companhia pagará dividendos adicionais no valor bruto de R$ 300 milhões.
Fonte: Valor Econômico - Empresas, por Chiara Quintão — De São Paulo, 09/02/2021

