O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) lançou uma nova frente do seu programa de desestatização, dessa vez voltada para os municípios. Representantes do banco estiveram reunidos ontem com prefeitos e secretários das capitais para apresentar a proposta de apoio da instituição na estruturação de parcerias públicoprivadas (PPPs) no segmento de iluminação pública.
Está prevista para hoje a assinatura de um acordo guardachuva para formalizar a cooperação técnica entre BNDES e prefeituras para a formatação de PPPs e concessões nas áreas de iluminação pública e de coleta de resíduos sólidos.
O movimento do banco na direção dos municípios abre uma terceira frente de projetos de desestatização, além dos esforços nas esferas federal e estadual. No âmbito federal, o banco deu prioridade até agora ao setor de energia além de apoiar a privatização da Celg Distribuição, trabalha para estruturar a venda das seis distribuidoras da Eletrobras. No plano estadual, os esforços estão mais voltados para a área de saneamento.
A expectativa do superintendente da area de desestatização do BNDES, Rodolfo Torres, é de que até o fim do primeiro trimestre deste ano seja possível fechar um balanço das prefeituras interessadas em aderir ao programa no segmento de iluminação pública. Dentro desse cronograma, a modelagem para a contratação das consultorias encarregadas de desenvolver os estudos de viabilidade das PPPs aconteceria no segundo trimestre.
Os estudos seriam desenvolvidos nos seis meses seguintes e os primeiros leilões para escolha dos parceiros privados que irão tocar as PPPs aconteceriam ao fim do primeiro semestre de 2018. "Estamos focados inicialmente nas capitais, mas nada nos impede de abranger futuramente cidades médias", diz Torres. No caso das parceZrias e concessões para coleta de resíduos sólidos, o superintendente do BNDES espera ainda neste semestre abordar os municípios para verificar o interesse dos prefeitos em estruturar parcerias e concessões.
Um dos principais atrativos das PPPs no segmento de iluminação pública é o fato de já existir uma fonte potencial de recursos para os projetos a Contribuição de Iluminação Pública (Cosip). "É uma fonte que precisa ser adequadamente blindada para garantir que o dinheiro vá para a finalidade a
que se destina, que é a iluminação pública", diz Marilene Ramos, diretora de infraestrutura e sustentabilidade do BNDES.
O parque brasileiro de iluminação pública é estimado em 16 milhões de pontos, sendo responsável por cerca de 4% do consumo total de energia no país. O gasto total estimado com energia elétrica para iluminação pública é de R$ 1,5 bilhão por ano.
Fonte: Valor - Brasil, por Rodrigo Carro, 08/02/2017

