Depois de registrar queda pouco abaixo de 5% no faturamento do ano passado em relação aos R$ 3,36 bilhões de 2015, a fabricante de tubos, conexões, ferramentas para pinturas e de portas e 
janelas Tigre espera retomar seu crescimento neste ano. A expectativa, segundo o presidente, Otto von Sothen, é crescer, no Brasil, de 4% em volume e 9% na receita, e ter elevação de 6% em
volume e 13% no faturamento, incluindo os negócios fora do país. As projeções não incluem o desempenho recémadquirida Fabrimar, de metais sanitários.

"Há um conjunto de valores positivos: inflação baixa, juros caindo, crédito imobiliário e lançamentos crescendo, além da intenção do governo de investir em saneamento", diz. Segundo o executivo, são esperados aumentos de 13% nas vendas internas de ferramentas para pintura e 4% em tubos e conexões. Outros segmentos que tendem a crescer, neste ano, são o de acessórios ­ tampas e assentos sanitários ­, com vendas puxadas pelas reformas, e de caixas d′água.

Sothen diz esperar também expansão das vendas da Claris Tigre, de portas, janelas e esquadrias de PVC, em função da inovação dos produtos. Fora do Brasil, a expansão continuará, segundo o presidente da Tigre, principalmente nos países andinos. O executivo conta que está "moderadamente otimista" em relação a 2017. "Quem fez o dever de casa, está bem posicionado", afirma. No ano passado, a Tigre reduziu seu quadro de pessoal de 5% a 8%. No segundo semestre,
reduziu a jornada da equipe gerencial, o que foi interrompido em janeiro.

Ele avalia que este será um ano de recomposição de estoques pelas indústrias. A Tigre esperava aumento das vendas domésticas, em 2016, principalmente no segundo semestre, após a interrupção das quedas em junho e julho. A partir de agosto, porém, a comercialização voltou a cair, na comparação anual, de acordo com Sothen, embora o desempenho da segunda metade do ano tenha sido melhor do que o da primeira. A queda do faturamento, ao longo do ano, foi puxada por vendas para as construtoras e para infraestrutura. A comercialização para o varejo ficou estável.

Na quarta­feira, a Tigre assinou a compra do controle da Fabrimar, situada no Rio de Janeiro, marcando sua entrada em metais sanitários. A família Martins permanece como "sócia relevante" da Fabrimar, segundo o acionista e membro do conselho de administração, Douglas Martins. Os vendedores terão dois dos seis assentos do novo conselho, mas não participarão da gestão.

A Fabrimar faturou R$ 125 milhões em 2015, de acordo com Martins. Atualmente, utiliza 55% da capacidade instalada de oito a dez milhões de peças. A empresa tem 750 empregados diretos. "Estamos olhando o longo prazo. O segmento de metais sanitários faz parte da condução de água. A Tigre tem produtos da parede pra dentro, e metais são a continuação da parede para fora", diz Sothen. Ele ressalta que a Fabrimar tem a mesma base de clientes já atendida pela equipe de vendas da Tigre.

Ainda não está definido se as marcas Tigre e Fabrimar serão utilizadas nos mesmos mercados ou se cada uma será destinada a regiões específicas. Segundo o presidente da Tigre, a Fabrimar é líder, em metais sanitários, no  Rio de Janeiro e tem "presença muito boa" no Nordeste. Sem revelar números, Sothen diz que, na Tigre, o negócio de metais é pequeno se comparado ao de tubos e conexões, mas tem potencial de ser maior do que o de pincéis. "O valor agregado é maior do que o de tubos e conexões, permitindo margens melhores", afirma o presidente.

No momento, a Tigre busca aquisições relacionadas à conservação de água, ao tratamento de efluentes e a fontes de energia renovável. Nos novos negócios, a empresa vai atuar, possivelmente, como indústria e prestadora de serviços. "Estamos buscando segmentos que não são, necessariamente, grandes, mas estão alinhados com tendências de futuro", conta Sothen. Nos últimos anos, a diversificação da atuação tem sido uma das estratégias para crescimento, mas o carro­chefe continua a ser o segmento de tubos e conexões.

A Tigre pertence à família Hansen, de Santa Catarina, e tem gestão profissionalizada há 18 anos.

Fonte: Valor - Empresas, por Chiara Quintão, 06/02/2017