Em 2020, nenhum ativo conseguiu escapar dos impactos provocados pela pandemia de covid-19. Os investimentos de renda fixa levaram uma rasteira, com a taxa Selic no menor patamar da história, de 2% ao ano. O mercado de ações também sentiu os momentos de forte turbulência. O segmento imobiliário, por sua vez, viu o estrago causado pela crise quando diversos fundos suspenderam ou reduziram o pagamento de dividendos. Foi um ano difícil para qualquer investidor, desde o conservador até o arrojado. Mas agora o ano é outro. E, junto dele, surge a dúvida: como o mercado vai se comportar?
Para os Fundos de Investimentos Imobiliários (FIIs), as projeções dos especialistas são otimistas, mas cada setor terá um caminho diferente em direção à retomada. Por isso, é bom estar atento para fazer a escolha certa na hora de investir. O Ifix, índice que acompanha o desempenho dos FIIs, sofreu, em março do ano passado - quando a OMS decretou a pandemia -, uma desvalorização mensal de 16%, puxado pelas incertezas sobre o que ainda estaria por vir com o avanço da covid-19.
De acordo com o relatório “Fundos Imobiliários: Dividendos em quarentena”, produzido pelo analista da XP Renan Manda, os setores mais afetados pelas medidas de isolamento social e fechamento do comércio não essencial impostas pelos governos foram os de hotéis e shopping. No começo da crise, em março, ambos os segmentos tiveram as maiores correções nos preços, com perdas que chegaram a 27% e 24%, respectivamente. Com relação aos dividendos, o relatório afirma que o Ifix registrou queda de 13% no pagamento dos rendimentos. Isso porque, com o avanço do coronavírus, alguns FIIs reduziram essa distribuição, enquanto outros suspenderam a política de proventos mensais.
Apesar de o Ifix ter fechado o ano de 2020 com uma performance negativa de 10,24%, na avaliação do analista de FIIs da Eleven Financial Research, Raul Lemos, desde junho o índice vem apresentando um “desempenho lateral”, além de um “yield” (retorno) acima da NTN-B de longo prazo, título público que tem taxa de rentabilidade indexada à inflação.
Mesmo que a categoria tenha sentido o gosto amargo da pandemia, o crescimento no número de investidores em meio a tantas incertezas chamou atenção: saiu de 645 mil em dezembro de 2019 para 1,1 milhão no mesmo mês de 2020. Outra surpresa foi o volume de captação dos FIIs registrados na CVM no ano passado, que alcançou o montante de R$ 24,5 bilhões e superou o resultado de 2019.
Se forem observados apenas os fundos de tijolo, aqueles que investem em imóveis já construídos e geram uma renda recorrente a partir do aluguel ou da venda (fundos de shopping, lajes corporativas, galpões logísticos, residências e outros), o volume de ofertas ficou em R$ 11,2 bilhões.
Fonte: Valor Econômico - Finanças, por Yasmim Tavares — De São Paulo, 03/02/2021

