Truncado logo de cara pelo feriado de Carnaval, fevereiro é enxuto mas é alta a probabilidade de se tornar particularmente importante neste ano. Fevereiro começa nesta segundafeira com as medidas de incentivo ao crédito, lançadas pelo governo na semana passada, sob análise mais detalhada no mercado financeiro. O pacote de R$ 83 bilhões pulverizados em diferentes linhas de financiamento não garantiu elogios do setor privado à equipe econômica ou críticas contundentes.
Mas a reação de entidades de classe contra o uso do Fundo de Garantia de Tempo de Serviço (FGTS) como garantia para crédito consignado pode incomodar já nesta semana de retomada dos trabalhos no Congresso Nacional. Há uma preocupação confessa a respeito da destinação de 10% do FGTS e da multa por rescisão de contrato sem justa causa em operações para fomentar o consumo __ ou até mesmo facilitar renegociação de dívidas bancárias mais caras por outra mais barata __ neste momento de menor contribuição e maiores saques no Fundo em função da escalada do desemprego que para economistas do mercado ainda não
chegou ao seu pior momento.
O Conselho Curador do FGTS já foi convocado pelo ministro do Trabalho e Previdência Social, Miguel Rossetto, para reunião extraordinária em 26 de fevereiro para debater as medidas que o ministro considerou “positivas”. Na tentativa de levantar a economia, o governo pode estar mexendo num vespeiro. O governo federal empurrou para o FGTS a responsabilidade de bancar mais da metade dos R$ 83 bilhões, apurou Edna Simão. A jornalista do Valor comenta que o pacote, divulgado sem muitas informações, deixa muitas dúvidas sobre sua efetividade.
E conta, como exemplo, que o governo anunciou que R$ 22 bilhões do Fundo de Investimento do FGTS (FIFGTS) serão liberados para financiar a infraestrutura. A questão é que esse dinheiro já estava parado nos cofres do fundo e não é utilizado
porque as empresas não querem investir em novos projetos num cenário de recessão e de Operação LavaJato. Sem mudanças nas regras de concessão, esse dinheiro continuará parado onde está.
Um integrante do Conselho Curador do FGTS, ouvido na condição de anonimato por Edna Simão, criticou o anúncio que o FGTS vai comprar R$ 10 bilhões em Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRI) por considerar essa operação __ feita com a Caixa __ uma forma de ‘capitalizar’ a instituição.
Fonte: APeMEC, 01/02/2016

