
Do aumento de 3,912 milhões de vagas criadas no trimestre, 2,445 milhões (66%) foram no setor informal. Houve alguma reação do setor formal, com 895 mil posições a mais. Também divulgados ontem, dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) mostraram que o país fechou 2020 com saldo positivo de 142,7 mil empregos com carteira, ante 644,1 mil em 2019. As expectativas no início da pandemia eram de saldo muito negativo.
Apesar de dúvidas sobre a nova metodologia e eventual subnotificação, o Caged tem apontado para uma recuperação mais vigorosa do emprego com carteira do que a Pnad. Apenas o setor de serviços encerrou 2020 com saldo negativo (132,6 mil vagas). Em dezembro, o Brasil fechou 67,9 mil postos - o mês costuma ser de demissões, mas esse foi o resultado menos pior desde 1995.
“A grande notícia é que num ano terrível, em que o PIB caiu 4,5%, criamos 142 mil empregos”, disse ontem o ministro Paulo Guedes (Economia). O mercado formal foi sustentado pelo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda (BEm), que permitiu suspensão de contratos e redução de salário/jornada. “Mesmo nossas previsões iniciais falavam de possibilidade de demissão de mais de 10 milhões de pessoas”, disse o secretário de Trabalho, Bruno Dalcolmo. Foram 20,1 milhões de acordos pelo BEm, com custo efetivo de R$ 33,4 bilhões, segundo o Ministério da Economia.
O governo analisa a recriação do programa, disse o secretário especial de Previdência e Trabalho, Bruno Bianco. Para Cosmo Donato, da LCA, o BEm teve papel “muito importante”, mas seu efeito já foi. "Caminhamos para um ano com perspectiva de recuperação econômica, ainda que a piora da pandemia acenda um alerta. Talvez não faça mais tanto sentido até para as empresas.”
Fonte: Valor Econômico - Brasil, por Ana Conceição, Anaïs Fernandes, Lu Aiko Otta, Mariana Ribeiro e Lucianne Carneiro — De São Paulo, Brasília e do Rio, 29/01/2021

