O Consórcio Walks, formado pelas empresas WTorre, Quaatro (Alumini) e KS Brasil Led Holdings fez a menor oferta na Parceria Público-Privada (PPP) de iluminação do município de São Paulo, de R$ 23,3 milhões por mês, chegando a R$ 7,5 bilhões ao fim do contrato de 20 anos. O valor é 22,5% inferior ao ofertado pelo outro consórcio, liderado pelas empresas FM Rodrigues e Consladel, de R$ 30,2 milhões por mês.

Como a diferença mensal é de cerca de R$ 7 milhões, a proposta da Walks oferece uma economia de R$ 1,68 bilhão ao longo dos 20 anos, de acordo com a empresa. Os valores se referem aos gastos que a concessão terá com investimentos para ampliação do parque elétrico e com a operação do setor de iluminação pública de São Paulo. Na época que as propostas foram apresentadas inicialmente, em 2015, os gastos da prefeitura com energia somavam cerca de R$ 16 milhões ao mês.

A prefeitura, porém, não pode declarar o consórcio Walks vencedor, pois a Justiça ainda vai apreciar um agravo de instrumento impetrado ontem pela FM Rodrigues questionando a participação da sua concorrente. A validação da Walks é objeto de uma ação na Justiça, e poderá ser revertida depois da apreciação do mérito do caso.

A prefeitura de São Paulo abriu os envelopes hoje, depois de mais de dois anos da previsão inicial, depois que uma série de brigas na Justiça e no Tribunal de Contas do Município (TCM) postergaram o processo de contratação da PPP de iluminação da capital paulista. A abertura dos envelopes, inicialmente marcada para acontecer às 11h, atrasou alguns minutos, o que gerou insatisfação do lado do consórcio Walks.

Membros do grupo chegaram a comentar que o atraso se devia a uma estratégia da prefeitura e da FM Rodrigues para conseguir uma liminar para impedir a abertura. No início da sessão, representantes do consórcio FM Rodrigues chegaram a solicitar a suspensão desta até que um recurso apresentado na Justiça questionando a validação da Walks possa ser apreciado, mas o pleito foi rejeitado.

Ontem, a Justiça indeferiu um pedido de liminar que visava suspensão a sessão de hoje, questionando as garantias apresentadas pelo consórcio Walks. Outro ponto polêmico é a presença da Alumini, pois a empresa foi declarada inidônea pela operação Lava-Jato. A FM Rodrigues tem um contrato de emergência para prestação do serviço de iluminação de São Paulo que vai até abril. 

Fonte: Valor - Por Camila Maia, 29/01/2018