A cidade de São Paulo deve bater um recorde de entrega de novos condomínios em 2024, com 818 novos empreendimentos que estavam em construção e ficarão prontos para morar. Serão 149,8 mil unidades entregues. É quase o dobro dos 424 condomínios registrados em 2023, com 52,2 mil unidades. Apenas 28 dos condomínios previstos para serem entregues neste ano são horizontais (de casas). O levantamento foi feito pelo Data Lello, braço de inteligência de dados da administradora imobiliária Lello.

Os bairros que mais terão novos condomínios neste ano são Pinheiros, Vila Mariana, Perdizes, Butantã, Vila Clementino, Itaim Bibi, Ipiranga, Vila Nova Conceição e Brooklin. É um reflexo da preferência da produção imobiliária nos últimos anos, que se concentrou nas zonas Oeste e Sul.

São regiões valorizadas e com infraestrutura urbana, que também permitem mais construções, de acordo com o Plano Diretor e o Zoneamento da capital, revisados em 2023 e neste ano. "O Plano Diretor há muitos anos vem incentivando o desenvolvimento imobiliário onde há mais oferta de transporte público, corredores de ônibus, estações de trem e metrô", ressalta Angelica Arbex, diretora de marketing da Lello Condomínios e coordenadora do levantamento.

A quantidade recorde de condomínios a serem entregues em 2024 está relacionada ainda com um boom de lançamentos do setor, na pandemia. A queda da taxa de juros, que chegou a 2% ao ano, movimentou os novos projetos. O volume de unidades residenciais lançadas em São Paulo saltou de 60 mil em 2020 para 81,8 mil em 2021, segundo dados do Secovi-SP, entidade que representa o setor imobiliário. Um empreendimento leva cerca de três anos para ficar pronto.

Analistas do setor esperam um volume ainda maior para 2025, quando também podem ser entregues as 75,7 mil unidades lançadas em 2022. O número já caiu para 62,8 mil até novembro de 2023, dado mais recente.

Mais da metade de tudo o que será entregue na cidade neste ano é de padrão médio e médio-baixo. São 54,2 mil unidades de padrão médio e 50,7 mil de médio-baixo. Os bairros que mais receberão condomínios de padrão médio são Vila Mariana, Perdizes, Pinheiros, Vila Clementino e Moema. No médio-baixo, Butantã, Barra Funda, Belenzinho, Cambuci e Ipiranga são as áreas com mais entregas.

A diferença entre esses padrões está no preço: enquanto no padrão médio o metro quadrado sai, em média, por R$ 15,2 mil, e a unidade por R$ 710 mil, no médio-baixo o valor do metro quadrado cai para R$ 9 mil, com unidades que custam, em média, R$ 382 mil.

O padrão econômico é o terceiro com mais entregas, com 23,3 mil unidades. As regiões com mais condomínios novos são Parque Novo Mundo, Guaianases, Itaquera, Paraisópolis e Pirituba. Nelas, o valor médio do metro quadrado é de R$ 6,5 mil, e as unidades custam R$ 231 mil.

Os bairros Pinheiros, Vila Nova Conceição, Perdizes, Itaim Bibi e Vila Mariana são os que mais terão entregas de condomínios de alto padrão neste ano. Ao todo, serão 18 mil unidades entregues na cidade. Nesses prédios, o valor médio do metro quadrado sobe para R$ 22,6 mil, com preço médio da unidade em R$ 4,1 milhões.

Unidades mais caras do que essas são encontradas nos condomínios horizontais, que têm média de R$ 6,7 milhões por unidade. Os bairros que mais terão esse tipo de projeto são Jardim Guedala, Alto de Pinheiros e Brooklin. Ali, o preço médio do metro quadrado é de R$ 14,4 mil.

 

Fonte: Por Ana Luiza Tieghi, Valor — São Paulo , 28/01/2024