A indústria de máquinas e equipamentos do país estima um mercado melhor este ano. O presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), José Velloso, disse ontem que, para 2020, a receita apurada nas vendas internas de máquinas deverá crescer cerca de 10%. Esse faturamento se refere apenas a fabricantes com operações no Brasil. Em 2019, a receita do setor atingiu R$ 46,35 bilhões, alta de 7,1% no comparativo com 2018.

“A receita líquida total, que inclui exportação, também deve crescer. A nossa estimativa é um aumento de 3%, puxado pelos investimentos do setor industrial. A formação bruta de capital deve se manter em alta”, disse Velloso.

A receita líquida da indústria de máquinas e equipamentos permaneceu praticamente estável em 2019, com crescimento de 0,7%. O valor alcançou R$ 82,43 bilhões. Em dezembro, as empresas do setor faturaram 5% a menos do que no mesmo período do ano anterior, R$ 5,9 bilhões.

Segundo os dados da Abimaq, o consumo aparente (venda interna mais exportação menos importação) somou R$ 126,22 bilhões no ano passado, alta de 15,1%. Em dezembro, o indicador subiu 7,1%, para R$ 8,89 bilhões. “Estamos em outro patamar quando se fala em consumo aparente de máquinas e equipamentos, mas ainda é um nível que é importante para o setor de máquinas. Depois de tanto tempo sem investir, os nossos clientes estão percebendo que precisam renovar o parque industrial, até para melhorar a produtividade.”

Com a melhora na receita interna, Velloso acredita que este ano as empresas devem reduzir a ociosidade na produção. No ano passado, o nível de utilização da capacidade instalada (NUCI) chegou a 75%, de acordo com os dados da Abimaq. Até 2013, a média era de 78%. Na crise, os fabricantes utilizavam na média 65% da capacidade. Em dezembro, o índice foi de 71%, conforme a entidade.

Na apresentação, a Abimaq informou que a carteira de pedidos apresentou recuo de 8,6% em dezembro em relação ao mesmo período de 2018. “O setor de bens sob encomenda, cuja carteira girava em torno de seis meses, praticamente desapareceu com a ausência de investimentos de infraestrutura no país. O indicador continua em patamares historicamente baixos”, informou.

Velloso ressaltou que para este ano os fabricantes de máquinas e equipamentos devem investir R$ 4,6 bilhões. Em 2019, os aportes representaram 4,6% da receita líquida total, ou R$ 3,7 bilhões. “Ainda estamos muito longe do que investíamos em 2013, por exemplo. Naquela época, girava em torno de 12% do faturamento, mas estamos retomando os aportes”, acrescentou o dirigente.

Perante esse cenário, no ano passado as empresas do setor de máquinas e equipamentos empregaram 5% a mais que em 2018, chegando a 302,35 mil postos. A média de emprego em 2019 foi de 306,38 mil pessoas. Segundo a Abimaq, em 2019 foram contratados 10 mil funcionários.

As importações somaram US$ 17,49 bilhões, alta de 19,5% no comparativo com 2018. Já as exportações chegaram a US$ 9 bilhões, uma queda de 7,2%. Com isso, o saldo da balança comercial foi deficitário em US$ 8, 46 bilhões. Em dezembro, o déficit no setor somou US$ 550,19 milhões. Segundo os dados da Abimaq, no mês passado as importações alcançaram US$ 1,26 bilhão, aumento de 100,7% no comparativo com dezembro de 2018. As exportações chegaram a US$ 712,36 milhões, queda de 9,7%.


Fonte: Valor-Empresas, por Ana Paula Machado - São Paulo, 28/01/2020